Balanço Parlamentar: Gil Canha critica subserviência da maioria ao poder económico que trava tudo

gil canha
Ao longo desta sessão legislativa, o deputado independente Gil Canha tem procurado ser a voz da denúncia daquilo que considera ser os grandes problemas da Madeira e os seus responsáveis. Dando continuidade à ronda pelas forças políticas com assento no hemiciclo, o FN reproduz seu testemunho de balanço à dinâmica deste ano na Assembleia Legislativa da Madeira.
Funchal Notícias – Qual o balanço que faz a mais um ano parlamentar (o melhor e o pior)? 
Gil Canha – O balanço que eu faço é que as grandes oligarquias que mandam no regime continuam a enriquecer, controlar e a monopolizar a nossa economia e a comunicação social. Com esta maioria do PSD, nota-se uma “evolução na continuidade” do anterior regime, obviamente com um cenário mais pomposo e agradável à vista.
O melhor é que há um maior esforço em ouvir e debater os assuntos; o pior é que continua o Sr. Jaime Ramos a mandar nisto, precisamente porque temos um Presidente do Governo Regional financeiramente combalido, o que o torna mais vulnerável às pressões, sem se esquecer que é uma pessoa que deve o seu cargo e a sua sobrevivência politica ao Sr. Jaime Ramos, o seu chefe no “Golpe de Estado” a Jardim.
FN – Qual é a principal dificuldade do trabalho legislativo? 
GC – A principal dificuldade é o condicionamento e a subserviência dos deputados da maioria  ao poder económico que trava tudo, nomeadamente o Grupo Sousa, Pestana e Jaime Ramos.
FN – Quais são as suas perspetivas para o próximo ano parlamentar? 
GC – Vai continuar tudo na mesma. Embora “os cromados” do regime estejam mais brilhantes e polidos,  “o motor” continua velho, gasto e a trabalhar com o mesmo combustível da época jardinista.  Por exemplo, Miguel Albuquerque já está a trabalhar para entregar novamente de mão beijada o Centro Internacional de Negócios ao Sr. Pestana, o Grupo Sousa continua a controlar toda a nossa economia sem que ninguém lhe faça frente, e o lobbi do betão (do Sr. Jaime Ramos) vê nas obras de canalização das ribeiras a sua sobrevivência. Aliás, já resta pouco para betonar nesta ilha.