Casa do Povo cancela edição de 2016 do Festival de Arte Camachense

casa povo camachaA direção da Casa do Povo da Camacha chegou “à infeliz mas realista conclusão de que não é viável a realização da XXVIII Edição do ART Camacha, em 2016. Esta é uma decisão, tomada a muito custo, que lamentamos e nos entristece profundamente, com a mágoa de quem defende a cultura de forma dedicada e voluntária.

A confirmação veio através de comunicado onde se revela que “apesar do pedido de apoio efetuado, a Câmara Municipal de Santa Cruz não disponibiliza apoio financeiro, nem suporta os custos estruturais, com o palco, som e luz algo que é comum em todas as restantes Câmaras Municipais, cá e por todo o país, pois assumem a responsabilidade de incentivar e dinamizar o Concelho”.

Segundo a organização, “esta falta de apoio autárquico, entronca, ainda, no funcionamento da nossa Instituição, tendo em conta a enorme despesa mensal, quer com o consumo de água quer com o consumo da electricidade, limitando o normal funcionamento das diversas valências, socialmente fundamentais para a nossa Vila”.

Refira-se que o Festival tem um orçamento global de 25.000€, que incluem os custos com palco, som e luz, montagem dos stands e estruturas de apoio, pagamento das forças de segurança pública e privada, alimentação, alojamento e deslocamento dos participantes.

Quanto a receitas próprias, que totalizam € 10.000,00, resultam da concessão da exploração dos stands do festival e de entidades privadas que patrocinam e apoiam financeiramente a organização.

Desde 2015, a Casa do Povo tem recebido o apoio financeiro da Secretaria Regional da Agricultura e Pescas, no valor €5.000,00 e ainda apoio em géneros alimentícios.

Ao longo dos anos a organização foi obtendo financiamento através de programas Europeus, como o FEDER, LEADER e o PRODERAM, que possibilitaram a realização do ART Camacha – Festival de Arte Camachense.

Este ano, a XXVIII Edição, a realizar em 2016, não terá esse tipo de apoio, uma vez que, apesar da assinatura dos protocolos entre a Autoridade de Gestão do PRODERAM e a ACAPORAMA no passado dia 18-07-2016, o “PRODERAM 2020” não está ainda em funcionamento nem operacionalizado, no que diz respeito  às medidas que apoiam estes eventos, o que resulta na impossibilidade de acesso a estes fundos.

“Assim, devido à impossibilidade do acesso aos apoios financeiros mencionados, a Casa do Povo desenvolveu uma série de contactos numa tentativa de viabilizar a edição de 2016, o que devido aos timings apertados não teve resultados positivos”, revela.

Recorde-se que, em agosto e ao longo de vários dias, a Vila da Camacha é sinónimo de Arte, Cultura, Tradição, Desporto e muito divertimento, com a realização do ART’Camacha – Festival de Arte Camachense.

Este é um Festival que, fruto da interligação com a Diáspora e a visita de grupos internacionais, quebrou barreiras, tornando-se uma mais valia na divulgação da nossa cultura, arte e tradições, sendo um investimento no futuro turístico da Madeira.

Desde 1989, a Casa do Povo da Camacha tem dado espaço a todos os grupos e projetos musicais, artísticos, desportivos e recreativos, para se mostrarem ao grande público, num evento multifacetado de elevada qualidade, que inclui ainda palestras de nível académico, exposições e workshops.

O ART’Camacha é reflexo, sinónimo e veículo fundamental na dinamização, qualidade e diversidade cultural da Vila da Camacha, hoje apelidada de “Capital da Cultura Tradicional da Madeira”.

“Tudo isto, naturalmente, comporta custos elevados, que não podem ser vistos como despesa, mas sim como um investimento, uma aposta segura de qualidade, na defesa da Tradição, na dinamização da Cultura e aposta na promoção da Vila da Camacha, ponto fulcral para a sustentabilidade do comércio local, intrinsecamente ligado ao Turismo”, revela o comunicado.


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