Fotos: Rui Marote

O Funchal Jazz já começou no Parque de Santa Catarina, com a actuação do Fred Hersch Trio a dar início a três dias de espectáculos naquele local e em salas que funcionam paralelamente, como o Scat, em ‘after-hours’. A noite começou serenamente, embora com uma nota de tristeza: a assistência foi convidada a observar um minuto de silêncio em memória de Tony Amaral Jr., o pianista recentemente falecido e que tanto animou as noites da Madeira doutros tempos. Lamentavelmente, o público era ainda escasso. Nos lugares sentados existiam ainda, às 21h30, várias clareiras e o espaço disponível no relvado do Parque era muito. No entanto, os presentes aderiram e aplaudiram depois Tony Amaral Jr., homenageando assim a sua memória.

O Fred Hersch Trio deu início às actividades jazzísticas que marcam a semana, tocando uma composição original de Fred Hersch e seguindo-se uma outra inspirada em Thelonius Monk. Os músicos foram progressivamente “aquecendo” o público com uma calma e ponderada mas competente actuação.

Fred Hersch formou este trio com John Hébert, contrabaixista, e com Eric McPherson, baterista, há cerca de dez anos. Foi considerado recentemente na imprensa estrangeira, designadamente no Wall Street Journal, “um dos maiores grupos de jazz do nosso tempo”. ‘Floating’, o seu mais recente disco, mereceu duas nomeações para os Grammy, nomeadamente melhor álbum de jazz e melhor edição discográfica. Hersch conseguiu ser nomeado nada menos que oito vezes ao longo da sua carreira.

Tendo iniciado a sua aprendizagem musical no New England Boston Conservatory, participou em grandes formações jazzísticas em 1977, no quarteto de Art Farmer, em Nova Iorque. Este pianista, que se iniciou nas lides bastante cedo, tocou também com nomes maiores do jazz como Stan Getz, Sam Jones, Billy Harper, Jane Ira Bloom, Joe Henderson, Charlie Haden e Lee Konitz, entre outros.
Nascido em Outubro de 1955, este intérprete e compositor actua também a solo ou em variados ensembles. Foi a primeira pessoa a tocar como pianista solo em contratos de uma semana no mítico clube nova-iorquino Village Vanguard.

Fred Hersch, que contraiu HIV, o vírus que causa a Sida, caiu num coma em 2008, que durou dois meses e do qual emergiu miraculosamente capaz de recuperar as funções musculares que tinha perdido por causa da sua longa inactividade. No entanto, recuperou-se totalmente, com muito esforço da sua parte. Hersch tem-se envolvido activamente em múltiplas actividades de sensibilização para os cuidados a ter para evitar contrair o HIV. Tem, inclusive, sido orador em numerosas conferências médicas nos Estados Unidos e na Europa.
A influência de Hersch marcou toda uma nova geração de pianistas, entre os quais Brad Mehldau e Ethan Iverson, que foram seus alunos.
A revista ‘Downbeat’ classificou-o como pertencente a uma pequena mão-cheia de músicos brilhantes da sua geração.
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