![]()
O mundo em que vivemos está profundamente marcado por incertezas. Há a violência espalhada por todo o lado, especialmente contra o diferente, no futebol antes e depois dos jogos é o caos que se assiste impávidos e atónitos. Ao lado disto há integralismo e certos excessos de orgulho étnico que levam à exclusão social dos mais fracos. A desorientação e o medo conduzem à repulsa contra os emigrantes e à exploração dos indocumentados vindos de zonas geográficas mais pobres e em guerra.
Esta constatação leva-nos à descoberta de um mundo profundamente violento contra o homem. Não pode ser mais preocupante o que estamos a fazer às nossas crianças. A educação atual está centrada numa instrumentalização que leva necessariamente à violência. Os jogos que as crianças têm acesso não são educativos, não ensinam o que é bem e o que é mal. Os heróis são sempre bárbaros, matam indiscriminadamente e são ascorosos ou repugnantes para quem tenha o mínimo de bom gosto. Como podem as crianças repudiar a violência, se os pais são os primeiros a oferecer-lhes armas e todo o tipo de brinquedos que provocam instintos de barbaridade?
Não sabemos o que fazer com os muitos e variados desafios que a sociedade e o mundo de hoje nos levantam. Educação não educa, parece mais votada a domesticar. Os sistemas de saúde não funcionam ou funcionam mal. Os governos são máquinas ao serviço de mercenários. Os bancos são covil de malandros que depois das patifarias nunca ficam a perder, porque o povo mesmo que morra tem que as pagar. É o capitalismo exacerbado sem regras e contra a dignidade dos povos.
O repúdio geral contra os emigrantes vindos de África ou dos países de leste são um fenómeno também bastante relevante nos nossos dias. Há suspeitas de trabalhos forçados, sobretudo, no sector da construção civil. A exploração desta mão de obra indocumentada está a ser uma realidade entregue aos grupos económicos poderosos que sem escrúpulos tudo fazem em nome da ganância feroz pelo dinheiro fácil em nome do lucro contra todas as regras éticas.
As redes mafiosas não têm mãos a medir e promovem as redes de indocumentados vindos dos países mais pobres do mundo. A exploração parece ser feroz e implacável. O submundo destas redes parece ser de uma terrível e desumana faceta sem precedentes na história do mundo.
O comércio de seres humanos está cada vez mais próspero e parece que as malhas da prostituição ganham terreno em todos os quadrantes sociais. O Papa Francisco tem denunciado esta calamidade com muita coragem. É o único líder mundial a falar no assunto.
As máfias florescem à vista de todos e tomam conta de sectores cruciais das sociedades, cujo único objectivo é lutar sem piedade pelo lucro fácil, mesmo que seja na base do comércio de seres humanos.
O medo e a desorientação geral não podem ter a última palavra nem podem ser motivo de derrota final. Devem isso sim, ser uma possibilidade de redenção que nos junte a todos e que dessa forma se imaginem novos modelos e novas formas de vida que nos orientem para a verdade da felicidade.
A desresponsabilização pessoal que vivemos, que leva a que cada um não se sinta sujeito do que faz e do que é, parece fazer alguma confusão. Porém, não nos podemos deixar vencer. É preciso, é urgente não se demitir da sua história pessoal e cada um deve ser capaz de enveredar pelas vias da salvação.
A abundância de notícias sobre a muita insegurança que se vive; a violência quotidiana que parece conviver com todos em cada esquina da vida; a exclusão social dos emigrantes vindos de tantos lugares do mundo; a tendência generalizada para o egoísmo que desemboca em integralismos desumanos, muitas vezes, com pontos de vista muito vincados; a teimosia das máfias que parecem dominar o mundo com redes secretas do comércio ilegal, tanto de drogas e tanto de seres humanos… Não podem ser os caminhos predominantes.
A complexidade do mundo deverá ser um desafio para todos. E é diante desta diversidade e multiplicidade positiva e negativa, que todos são chamados para ter ações concertadas em favor do bem comum. Chega de pessimismos e medos desnecessários. Que cada um seja capaz de dar largas à sua imaginação e se faça um verdadeiro construtor de alternativas boas em favor da felicidade da humanidade toda.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





