Rui Nepomuceno: o homem de cultura e o comunista por todos respeitado

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Foto Rui Marote.

Pouca gente desconhecerá a figura que o FN evoca hoje nas memórias: Rui Nepomuceno. Em véspera de completar 80 anos de idade, este comunista ferrenho tem o dom de congregar simpatizantes da direita à esquerda, porque lhe admiram a cultura, o percurso histórico e o trato educado e humanista.

Apaixonado confesso pela história, campo onde investiga e publica vários títulos, e militante de proa do Partido Comunista Português, Rui Nepomuceno é um “gentleman” da política regional. A idade vai pesando mas o espírito ávido e criativo do homem parece não ter limites, apesar da vida atribulada que enfrentou, primeiro em África e depois na luta contra o fascismo e os bombistas da Flama.

Nascido a 10 de maio de 1936, na freguesia de Santa Maria Maior, num berço burguês – filho do industrial e dirigente desportivo João Nepomuceno e de Maria da Paixão Faria Nepomuceno – cresceu com ideais humanistas firmes, também no espírito da rebeldia coimbrã, onde se licenciou em Direito, vindo a destacar-se na Madeira como advogado, profissão a que dedicou a maior parte da sua vida, além da política.

Entre 1961 a 1963 interrompeu o curso universitário e combateu no Norte de Angola, onde foi segundo-comandante da «Companhia de Caçadores n.º 167» e mais tarde comandante dessa unidade, quando o general Mário Firmino Miguel (então capitão), regressou à metrópole para frequentar o curso de Estado Maior do Exercito. Foi em Angola que teve ligações com o PCP, colaborando com o poeta e militante antifascista Manuel Alegre, numa conjura contra o Colonialismo e pela Democracia.

Obtida a licenciatura em Direito, em 1965, veio para o Funchal, onde desenvolveu uma vasta atividade profissional, política e até desportiva. Apaixonado pelo União, presidiu à direção entre 72 e 74. Mas é sobretudo na política que se destaca, nas fileiras da CDU, a quem serve com abnegação, com sacrifício da própria família, ainda hoje marcada pelas retaliações de alguns menos democratas. Fiel ao partido e às suas causas, foi ainda deputado pela CDU na Assembleia Legislativa da Madeira.

A sua mulher, Aida Nepomuceno, discreta mas uma mulher de carisma e de cultura, tem sido o seu principal suporte e da família.

Para além da paixão política, a devoção à escrita e com ela a publicação de vários títulos sobre a história autonómica da Madeira. Além dos livros editados, foi colunista do Diário de Notícias do Funchal. Presentemente, integra o painel de opinião do Funchal Notícias.

Em 2009, o Presidente da República agraciou Rui Firmino Faria Nepomuceno com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Uma distinção que agracia o percurso e a obra desta figura emblemática da cultura madeirense.

Nas vésperas do seu aniversário, o FN congratula e presta homenagem a Rui Nepomuceno.