Oposição denuncia “rebaldaria” na Direcção Regional de Cultura

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Fotos: Rui Marote

Apesar da apologia que fez da cultura na Assembleia Legislativa Regional logo ao princípio da manhã, Miguel Albuquerque viu-se confrontado com algumas críticas. Os deputados da oposição, uns com maior, outros com menor acutilância, não se coibiram de afirmar que existe um mau ambiente na Direcção Regional de Cultura, actualmente sob a orientação de Natércia Xavier, após a saída de Carina Bento. Élvio Sousa, do JPP, assegurou que na DRC há “um clima de crispação interna”, que pode pôr em causa a coesão daquela instituição. Perguntou, a respeito, se está prevista a criação de novas direcções de serviços, para colmatar o mal-estar vigente. José Manuel Coelho (PTP) foi mais longe: mencionou os nomes de Teresa Brazão e Maria da Paz, antigas colaboradoras de Albuquerque no Departamento de Cultura da CMF, e que transitaram para a DRC, afirmando que as mesmas não mantêm boas relações com Natércia Xavier e vice-versa, o mesmo acontecendo com Eduardo Jesus, secretário regional da tutela. As “senhoras” em causa, apontou, “brigam” com Natércia Xavier, em vez de se dedicarem a tarefas mais edificantes, insinuou. Albuquerque negou e disse que os deputados estavam a confundir a DRC “com alguns partidos da oposição”, e afirmou que o Governo não anda a reboque de conflitos insignificantes entre pessoas: há uma orgânica que tem de funcionar.

O JPP reclamou ainda que “não há um verdadeiro inventário do património edificado e imaterial da Madeira”, enquanto que Roberto Almada, do Bloco de Esquerda, criticou também “o entra e sai da DRC”, que classificou como “rebaldaria” e uma “perda de tempo”.

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Com tantos planos estratégicos que o Governo tem “para todo o lado”, questionou, “onde está o plano estratégico para o sector cultural”? Limita-se, interrogou, à afirmação de que agora, com este governo, “se respira cultura”? Também Sílvia Vasconcelos, do PCP, criticou o Governo pela falta de estratégia na protecção do património industrial, de grande importância na Região, frisando o anterior triste exemplo do que se passou na fábrica do Hinton.

Já Rui Barreto, CDS, criticou a falta de informação relativamente ao que o Governo pretende fazer para comemorar os 600 anos da Descoberta da Madeira, uma oportunidade única para projectar a Região no panorama internacional. Foi criada uma comissão executiva e uma de acompanhamento, mas pouco se sabe até agora.

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A estas críticas Miguel Albuquerque destacou que este ano o Governo Regional apresentará um regime de apoio às actividades culturais que representa um reforço de 20 por cento às mesmas.

Por outro lado, Sofia Canha (PS) quis saber mais sobre a estratégia do Mudas Museu de Arte Contemporânea, que inclusive viu o autocarro para aquela localidade ser cancelado, apenas alguns meses depois de ter entrado em funcionamento; e o deputado independente Gil Canha disse que a Cultura tem de ter um certo ambiente para poder medrar, pelo que em seu entender a criação do Centro das Artes Casa das Mudas, que agora alberga a colecção de arte contemporânea da Região, “é muito giro” mas do ponto de vista funcional “é um aborto”.

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Este deputado criticou ainda a descaracterização do Forte da Pontinha, e mostrou-se preocupado com os planos do Governo para a fortaleza do Pico. Também quis saber se o Governo Regional pretende continuar a apoiar o museu Universo de Memórias de João Carlos Abreu, nos moldes em que o tem feito até agora. Albuquerque respondeu que sim, afirmou que os custos de funcionamento daquele museu são mínimos e, quanto aos planos de recuperação da Quinta Magnólia e da Fortaleza do Pico, afirmou que são contidos e que se destinam a dar novamente aqueles espaços ao usufruto das populações, mas com pequenas alterações. Ambos serão adaptados de modo a poderem albergar algumas exposições, mas sem extravagâncias. Na Quinta Magnólia, a piscina será convertida em campos de Padel e os campos de ténis serão recuperados para ficarem como dantes. Os jardins também serão recuperados.

 

Ricardo Lume, do PCP, fez a apologia da necessidade de defender os profissionais da área cultural, que, considerou, muitas vezes são retratados como boémios que não precisam de se alimentar tal e qual como as outras pessoas, não têm necessidades materiais. E defendeu a necessidade de o Governo os apoiar e incentivar. Também falada no debate de hoje foi a necessidade de os criadores da Região poderem concorrer a apoios nacionais e internacionais através da estrutura do Governo da República para a Cultura. Miguel Albuquerque deu razão, e disse que essa era uma das matérias a tratar com João Soares, durante a aprazada visita à Madeira, mas que ficou comprometida com a demissão do mesmo por causa do polémico caso das “bofetadas” prometidas pelo governante aos colunistas do jornal ‘Público’.