Do séc. XX ao séc. XXI

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A Europa Ocidental teve uma evolução que, desde a Idade Média, se caraterizou por limitar o Poder a quem o exercia. Foi assim no séc. XIII com João Sem Terra. A Magna Carta, com a chancela da Igreja, marcaria o futuro da Europa. A Rússia, com tão vasto território, no séc XVI ainda era um País feudal. Houve, tal qual com João Sem Terra no sc. XIII, disputas entre Nobres. Ivan o Terrível resolveu-as à força. Casando com Anastácia Romanova, iniciou a dinastia dos Romanov.

         A Europa iniciou o séc XX, afastando a Aristocracia dos Negócios de Estado. Em 1906 faleceu Cristiano IX da Dinamarca, “sogro” em Inglaterra, França, Rússia e Grécia. Morria o “Sogro da Europa”. Os privilégios dos Nobres, nesse tempo, irritavam a raia miúda! Repudiando os privilégios, assentes no Voto Popular, as Repúblicas surgiam na Europa. Oito anos após a morte de Cristiano IX, deflagra na Europa a 1ª Guerra. Em 1918, nada estava como dantes na Europa Ocidental. Na Rússia, iniciara-se em 1917 uma revolução que derrubaria os Romanov e iria condicionar a vida política do Planeta, durante 70 anos.

         Hitler, nos anos 30, aproveitando as circunstâncias favoráveis, afronta a Liberdade, arduamente construída desde 1215. Inimigos figadais, nazismo e comunismo, estão em lados opostos na 2ª guerra. Derrotado o nazismo, restou o totalitarismo comunista. Sobreviveria ainda mais 44 anos

         Não havendo sistemas políticos perfeitos, Hitler e Estaline não são exemplos a seguir. A Liberdade resumida em: Paz, Saúde, Habitação, Educação, Pão e Segurança é comumente aceite por todos os Seres Humanos. Ao sangue azul que circulava nas veias dos primos e primas aristocratas no início do séc XX, surgiu um novo fio condutor entre um grupo também restricto de pessoas: o dinheiro, que no Mundo Ocidental, substituiu o sangue azul. Porém, nem tudo foi um mar de rosas. Do México à Patagónia, de África à Ásia, houve atropelos graves aos Direitos Humanos. Dinheiro “sujo”, oriundo de ditadores e seus apoiantes, a coberto do segredo bancário, encheu os cofres da banca Suíça.

         Durante 44 anos, no Mundo Ocidental, a propaganda permitiu tornear este estigma. No Portugal pré-25 de Abril, abordar semelhante questão, quando não se tivesse estatuto para tal, valeria o título de comunista. Com Gorbachov e Yeltsin, o dinheiro faz a sua aparição na outra metade do Mundo, acabada de sair do totalitarismo comunista. O efeito foi arrasador. Houve consequências graves, por acção das máfias constituídas à volta dos negócios. O cidadão comum assistiu ao indecoroso espectáculo televisivo de um recente enriquecido perguntar ao seu interlocutor: “tens um milhão de dólares”? Tendo ouvido um não, respondeu: “então vai levar….”

         A ambição, tal como o vinho, é coisa boa. Péssimo, nos dois casos é o excesso da dose. A ambição Política é legítima, desde a Magna Carta que a tentamos limitar. A ambição nos negócios também é legítima. Uma pessoa deve poder exercer actividade política e ter negócios.

         A elite mundial, ligada pelo dinheiro e pelo poder político, incorpora gente oriunda do “capitalismo” e do “comunismo”. Chegou o tempo em que, os humildes e anónimos cidadãos, vindos do “capitalismo” e do “comunismo” estão em pé de igualdade. Exige-se bom senso dos dirigentes para agirem, responsavelmente, nos discursos e comportamentos que adoptam. Trump, pondo em causa valores essenciais aos USA, é um exemplo a não seguir, no espaço Americano. Tão temível quanto Trump é Putin. Controlando a informação e, socorrendo-se do dinheiro dos cleptocratas amigos, faz crer ao homem comum que as dificuldades são criadas pelos “capitalistas”. A cortina de ferro mantém-se na cabeça das pessoas. Habituadas ao centralismo, Húngaros, Checos, Polacos etc., têm dificuldade de entender o Ocidente, tanto quanto nós a entender a sua recusa de ajuda aos refugiados. Logo eles que tanto sofreram às mãos de nazis e comunistas.

         Todos merecemos mais e melhor que Trump e Putin. Precisamos de alguém que olhe para nós, não como votantes ou consumidores, mas como SERES HUMANOS. Só assim evitaremos que a história se repita.


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