“Exemplo de cidadania”: Voluntários decidem limpar Vereda do Bom Sucesso

Dois cidadãos decidiram, de forma voluntária, meter mãos à obra e limpar a Vereda do Bom Sucesso, onde há pouco mais de duas semanas morreu um turista, o segundo em apenas quatro meses.

vereda do bom sucesso
O antes…

O facto não passou percebido a Raimundo Quintal, o antigo vereador do Ambiente da Câmara do Funchal, que se manifestou sensibilizado com o gesto. Em jeito de reconhecimento e de alerta para a situação de desinvestimento na manutenção destes trilhos pelas autoridades, o geógrafo decidiu trazer às redes sociais o exemplo de cidadania de dois madeirenses que não conformam.

“Como nem a Secretaria do Ambiente nem a Câmara do Funchal atuaram no terreno e a vereda continuava aberta e a ser percorrida por dezenas de turistas todos os dias, no último sábado (02.04.2016) dois cidadãos, que em 1999 trabalharam na abertura do Corredor Verde da Ribeira de João Gomes, resolveram, de livre e espontânea vontade, intervir com o objetivo de reduzir os riscos de acidente naquela vereda”, sublinha Raimundo Quintal.

Trata-se de Agostinho Baptista, residente no Curral dos Romeiros, e de João Luz, bombeiro municipal, que em conjunto cortaram e removeram os troncos que obstruíam a passagem e obrigavam os turistas a circular na beira do abismo. “Ainda criaram proteções nos pontos mais perigosos e melhoraram o piso da vereda”, acrescenta o investigador, para quem a iniciativa destes cidadãos representa “um belo exercício de cidadania”.

“Ninguém pode garantir que não haverá mais acidentes naquela vereda”, reconhece. “Mas o que estou em condições de afirmar é que, graças ao louvável trabalho voluntário destes dois amigos da natureza, o risco de acidente baixou bastante na vereda entre o Monte e o Bom Sucesso”.

… e o depois da intervenção.

Recorde-se que, a 16 de março, um turista alemão foi vítima de uma queda fatal na vereda da Levada do Bom Sucesso, entre o Largo das Babosas, na freguesia do Monte, e o Bom Sucesso, na freguesia de Santa Maria Maior.

O assunto fez primeira páginas e provocou a indignação entre os amantes das caminhadas e os que conhecem o trajeto em questão. A recorrência de acidentes – doze em cinco anos – e a falta de manutenção que levou a que o troço fosse desaconselhado pelas autoridades, foram responsabilidades atribuídas tanto à autarquia funchalense como à Secretaria regional que tutela o Ambiente.

Na altura, Raimundo Quintal enalteceu as potencialidades daquele trilho para percursos a pé, defendendo a sua urgente recuperação.