Roberto Almada reeleito, BE prepara-se para “embate” das autárquicas

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Fotos: Rui Marote

Muitas críticas a Miguel Albuquerque e a Pedro Passos Coelho, por um lado, e o apelo entusiasmado à união de forças tendo em vista as próximas eleições autárquicas e a necessidade de reforçar posições nas regiões autónomas da Madeira e Açores, foram os dois pólos essenciais de uma dicotomia que esteve presente, este domingo, nos discursos dos principais responsáveis do Bloco de Esquerda.

Roberto Almada, reeleito coordenador regional do BE na Madeira, a coordenadora do BE Açores, Lúcia Arruda, e Catarina Martins, uma das dirigentes nacionais, elogiaram, nos seus discursos, a intensidade do debate político que se viveu nesta Convenção, e bem assim a união entre os elementos deste partido, ao nível nacional e nas regiões autónomas, união essa que sublinharam ser necessária para os tempos que se avizinham.

Lúcia Arruda referiu que os Açores , tal como a Madeira, estão reféns de “um paradigma ultrapassado”, com um panorama onde subsiste o desemprego, o insucesso escolar e toda uma panóplia de problemas sociais. Não poupou as críticas ao PS, governo naquela região, considerando que com os socialistas a governar, “a riqueza pende sempre para o mesmo lado”, não se repercutindo nas políticas sociais de redistribuição do poder económico.

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Nas próximas eleições, considerou, é fulcral aprofundar o processo autonómico, defendendo as riquezas naturais e marítimas que são tão importantes para o arquipélago e para o país.

Por seu turno, Catarina Martins agradeceu a presença da representante do BE Açores, realçou o balanço que foi feito,  neste encontro, aos “anos duros” que o partido viveu a nível nacional.

“Se aprendemos com as derrotas, aprendemos também com as vitórias”, disse, defendendo sempre uma transformação social que, em seu entender, é responsabilidade de uma esquerda que não se pode conformar com um situacionismo ou com a inércia.

Citando o líder histórico madeirense Paulo Martins, já falecido, referiu que há que desafiar sempre querer mudar a História e não se ficar contente apenas porque se acha que se está do lado certo da mesma.

“Se o caminho é o empobrecimento, tem de se encontrar uma alternativa” ao nível económico e social, enfatizou.

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Abordando o título da moção apresentada por Roberto Almada e os seus apoiantes a esta Convenção, ‘Resgatar a Autonomia’, Catarina Martins referiu que para o BE essa, tal como a mudança, não é uma palavra vã, “tal como o é para Miguel Albuquerque e para o PSD, que não efectuou, afirmou, qualquer mudança positiva concreta, perceptível por quem vive do seu trabalho.

O Bloco, frisou no seu discurso, tem de continuar a ser um partido que diz não às “inevitabilidades” apresentadas pelas forças de direita.

Congratulando-se por ter sido aprovada a moção que veio reeleger Roberto Almada como líder regional, Catarina garantiu que para o BE a “autonomia não é um formalismo” e que é feita de “soberania popular concreta”.

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“O poder de decisão deve estar nas mãos do povo”, que tem de ter direito ao trabalho, a um salário digno, a habitação, à saúde, à educação e à cultura. É preciso que muitos destes direitos sejam recuperados e efectivados, a nível nacional, referiu.

Abordando o Congresso do PSD, criticou as “ameaças” de Pedro Passos Coelho aos pensionistas, quando afirma que a Segurança Social terá necessariamente de sofrer cortes, e criticou-o pela atitude favorável a Maria Luís Albuquerque, que recebeu um alto cargo na direcção do partido, apesar da polémica de ter aceitado um emprego na Arrow, que está a causar grande estardalhaço a nível nacional.

Isto, em seu entender, “mostra que o bom senso não mora, há muito, no PSD”.

Para Catarina Martins, Portugal tem de aprofundar um caminho de recuperação do poder económico dos que vivem de salários e de pensões, tem de tirar a troika da consciência nacional, tem de apostar no crescimento e no combate ao desemprego. Uma transformação da economia que, afirmou, nem o PSD nem a Europa querem.

Referindo-se aos bons resultados do BE, que o transformaram numa importante força política nacional, considerou-os, todavia, insuficientes: “Ainda não somos governo”.

Porém, mostrou-se crente nos bons resultados do BE nas próximas autárquicas nos Açores, disputando a relação de forças naquele arquipélago.

Não poupou elogios a dirigentes e militantes do BE-Madeira pelos seus esforços e pelo trabalho realizado.

Finalizando, Roberto Almada agradeceu a presença dos representantes dos partidos e sindicatos presentes, bem como enalteceu o apoio pessoal de Catarina Martins e dos outros dirigentes nacionais durante os tempos difíceis do Bloco na Madeira.

Muita da sua intervenção foi usada para colocar ênfase na necessidade de se efectuar uma “luta de rua” pelos direitos e transformações sociais necessárias, apelando à convergência de esforços dos militantes, pois só assim se conseguirá combater “a direita austeritária”.

Apesar da presença do BE no parlamento regional da Madeira, referiu, e da maior visibilidade que tal produz, com vantagens na luta política, o partido ainda enfrenta o PSD e a sua maioria absoluta. Nesse sentido, apontou baterias a Miguel Albuquerque e fuzilou-o com uma série de considerações e de epítetos. Criticando a “Primavera miguelista do jardinismo”, enumerou uma série de medidas de benefício social que não contaram com o apoio de Miguel Albuquerque, que, denunciou, instruiu os deputados do seu partido no parlamento nacional a votarem contra um orçamento de Estado que é aquele que mais beneficia a Madeira nos últimos cinco anos, em sua opinião.

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O governo de Albuquerque na Região, voltou a insistir, fez “zero” em matéria de melhoria de condições para os mais necessitados e para a classe média, continua a sustentar monopólios que prejudicam o povo da Madeira, e não quer combater a “destruição social” causada também por Pedro Passos Coelho, naquilo que considerou “uma traição” aos madeirenses e porto-santenses.

Referindo-se à questão da sobretaxa de IRS paga na Região, e que o BE propôs que ficasse na Região, denunciou que o PSD não votou a favor, o que teve como resultado o desvio da Madeira de “alguns milhões de euros”.

Também o CDS “não quis” devolver esta verba à Madeira, afirmou.

O ano de governação do PSD na RAM foi, em seu entender, “um ano perdido”, durante o qual, das promessas apresentadas, foi feito, segundo disse, “zero”. Quanto aos governos anteriores, sublinhou: “Nunca esqueceremos a irresponsabilidade dos governos do PSD”, que condenou a Madeira a uma eterna dívida.

A este respeito, criticou também a justiça portuguesa, afirmando que o BE “não compreende a inércia das instâncias judiciais” face ao endividamento regional, que classificou como “crime”.

Criticando o sector das operações portuárias na Madeira, que considerou dominadas por um único grupo, insistiu ainda em que é necessário “acabar com os donos disto tudo”.

Acusando o Governo Regional de sucessivos “inconseguimentos e fantasias”, considerou ainda que o presidente, Miguel Albuquerque, é “prepotente” e “despede diante das câmaras de televisão os seus mais directos colaboradores”.

Para as autárquicas de 2007, prometeu: “O BE já começou a preparar-se para esse embate”. Estará no terreno, afirmou, sozinho ou em convergência com outros movimentos.

“Não fechamos portas a nenhum diálogo”, na luta contra as forças da direita, frisou.

O Bloco de Esquerda prepara-se, também activamente para celebrar os seus 12 anos no próximo dia 25 de Abril.