Quem procura a “ovelha” perdida?

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Fotos Rui Marote

O Funchal amanheceu assim: entre o sol e a chuva, numa transição arrastada para a primavera. Uns correm para o trabalho, outros desfrutam das férias da Páscoa, outros ainda procuram trabalho e, sim, ainda há tantos outros que amanhecem no banco da cidade sem rumo. E também estes devem dizer-nos muito, porque são filhos de uma terra sem perspetivas ou então que eles próprios não procuram nem vislumbram sinais de vida ou de rumo.

Lá dentro, no Parlamento regional, o debate político, as pastas cheias de intenções dos governantes em prol de um povo historicamente sempre com o chapéu na mão. E nos bancos do exterior, vidas sem destino, ante a passagem apressada e indiferente dos outros. É uma cidade a velocidades diferentes, assimétrica, dita democrática e evoluída.

Recuando muito no tempo, ab initio, alguém biblicamente nos ensinava, por parábolas, que se um pastor perdesse uma das 99 ovelhas, não regatearia esforços sem encontrar a ovelha perdida. Não sei se deixámos hoje de procurar o outro, desde que o nosso séquito esteja connosco. Talvez nos tenhamos deixado contentar com pouco.