Obama em Cuba: “É maravilhoso estar aqui”

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Conforme antecipámos oportunamente, com uma reportagem fotográfica de Rui Marote sobre Cuba, o presidente norte-americano Barack Obama chegou já àquele país, durante a qual se avistará com o presidente Raul Castro, mas não com o histórico e reformado líder revolucionário Fidel Castro. Na agenda dos temas a discutir com o irmão de Fidel, Raul, contam-se assuntos como reformas políticas e comerciais.

O presidente dos EUA, reporta a BBC, surgiu do avião presidencial Air Force One com a sua esposa, Michelle Obama, e as suas filhas Sasha e Malia. Segurando guarda-chuvas, por causa de uma chuva miudinha que persistia em cair, os norte-americanos foram conduzidos ao longo de um tapete vermelho para serem cumprimentados pelo ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez. Duas horas depois, Obama estava na embaixada americana em Cuba, onde cumprimentou o pessoal considerando que “é maravilhoso estar aqui”.

“Em 1928″, recordou, o presidente Coolidge veio num navio de guerra. Levou três dias a chegar aqui, enquanto que eu demorei apenas três horas. Pela primeira vez, o Air Force One aterrou em Cuba e esta é a nossa primeira paragem”, referiu.

A viagem, considerou Obama, é uma oportunidade para construir um futuro que seja mais radioso que o passado.

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Estavam previstas interacções com o povo cubano nas ruas, mas esta parte do itinerário acabou por ver-se prejudicada por uma tempestade tropical.

Os convidados norte-americanos prosseguiram, protegidos por guarda-chuvas, para visitar a catedral em Havana.

 

No entanto, horas apenas antes da chegada de Barack Obama, pessoas que protestavam nas ruas pela libertação de prisioneiros políticos foram detidas na capital. A polícia levou dezenas de manifestantes do grupo “Senhoras de Branco”, que é formado por esposas de prisioneiros políticos, do exterior de uma igreja onde tentam realizar protestos semanais.

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foto Rui Marote

Os correspondentes da imprensa internacional estão a salientar o modo como esta visita, a primeira de um presidente dos EUA nos últimos 88 anos, marca uma enorme reviravolta nas relações entre Cuba e os Estados Unidos.

A Casa Branca tornou claro que Obama irá encontrar-se com dissidentes políticos, quer tal agrade ou não às autoridades cubanas. As ‘Senhoras de Branco’ provavelmente estarão incluídas nesses grupos de dissidentes com os quais o presidente contactará.

Esta visita, apesar das múltiplas perspectivas positivas, não assinalará uma completa normalização das relações. O embargo a Cuba, que dura já há mais de cinco décadas, só poderá ser levantado por um voto do Congresso, que é dominado pelos republicanos. Entretanto, Cuba continua a queixar-se acerca da ocupação da base naval na baía de Guantanamo. Local, aliás, de uma polémica prisão para supostos terroristas, situada à margem do direito internacional e que Obama prometeu fechar até ao final do seu mandato.

Mas que esta visita serve de forma notória para acalmar tensões, isso é indiscutível.

No domingo, a companhia hoteleira norte-americana Starwood tornou-se a primeira empresa americana a firmar um acordo comercial com as autoridades cubanas, desde 1959.

O que muitos comentadores esperam é que Obama consiga pôr o “último prego no caixão do último legado da Guerra Fria”, nas palavras do jornal colombiano ‘El Tiempo’.

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foto Rui Marote