O controverso rosto dos indignados do Banif: “Vivemos numa terra onde há muita gente invejosa”

Daniel Caires2
Fotos Facebook, Daniel Caires

Ficou conhecido, primeiro pelo incidente com a venda de bilhetes para o Mundial de futebol do Brasil. Mais recentemente, deu a cara pelos lesados do Banif. Em entrevista ao Funchal Notícias, Daniel Caires explica porque deu a cara pelos lesados e lamenta que tenha de penitenciar-se todos os dias pelo “erro” que cometeu no Brasil.

FUNCHAL NOTÍCIAS: Porque decidiu dar a cara pelos lesados do Banif?

Não foi algo que já tivesse decidido anteriormente. Notei que nada estava a ser feito pelos lesados e que havia muita vergonha das pessoas em dar a cara. Vergonha e medo. Para fazer a manifestação no Funchal foi difícil de arranjar 4 assinaturas para comunicar as entidades fiscalizadoras. Hoje em dia já é diferente, já temos os contactos uns dos outros. Naquele dia não esperava discursar para as duas centenas de lesados que se encontravam ali. Podia não ter dado a cara, podia não ter feito nada, mas chocou-me ver pessoas com mais de 80 anos a chorar por terem perdido o seu investimento e muitos destes não tem a capacidade de falar para o público. Então decidi dar a cara no momento, sabendo de antemão que iriam existir os comentários e os invejosos do costume, mas alguém tinha que ser “sacrificado”. Tudo começou pela página do facebook “lesados banif”. Hoje em dia são várias pessoas a gerir a página.

Daniel Caires3FN: Porque decidiu não integrar os corpos sociais da associação de lesadas (ALBOA)?

Acho que é necessário uma maior disponibilidade para tratar de assuntos de grande importância. Disse aos membros da associação e ao Presidente inclusive, que quando eles necessitarem de mim, tal como de outras pessoas, estaremos disponíveis. Fui a Lisboa para que a associação fosse formada e assim foi.

FN: Acha que o episódio da venda de bilhetes no mundial do Brasil, colocou em causa a sua idoneidade enquanto porta-voz dos lesados do Banif?

Fui apenas porta voz naquele dia. Alguém tinha de dar a cara, alguém tinha de explicar as coisas, tal como elas são. Sobre o episódio que não desminto, é preciso que se saiba que milhares o fazem. Seja num concerto esgotado, seja num jogo de futebol com mais procura. O que eu fiz, foi vender algo legal e real, a um preço superior, por estar esgotado. Foi um erro. Assumi e paguei custos enormes. Agora irem buscar esta situação para tudo o que faço na vida é errado. Vivemos numa terra onde há muita gente invejosa. A madeira deve ter a maior taxa do mundo de “campeões anónimos por trás de um computador”.

FN: O facto de ser da JSD é uma vantagem ou uma desvantagem?

Nem uma coisa, nem outra. Eu rego-me pela Social Democracia. Fiz parte dos órgãos da JSD durante muitos anos. Por limite de idade estou de saída, mas nada tem a ver uma coisa com a outra.

Daniel Caires4FN: E de ser promotor de eventos (xevents)?

Prejudica um pouco o trabalho porque a disponibilidade não é tanta e as pessoas que não sabem e não fazem ideia, começam por difamar. As pessoas acreditam naquilo que lhes dizem, mas não sabem procurar e ver com os seus próprios olhos. Quem me conhece e que já tenha trabalhado directamente comigo, sabe que sou incansável na ajuda e apoio que me pedirem. Daí nunca responder a comentários , nem tentar fazer ver a minha versão. Quem me conhece directamente e convive directamente comigo sabe a realidade e a verdade das coisas.

FN: E de, supostamente, como acusou António Fontes na última crónica dominical no DN-Madeira, ter sido um dos divulgadores da Telexfree?

Até hoje, nunca respondi a nenhum comentário que façam sobre mim em algum órgão. Não vão ganhar notoriedade à minha custa, no que toca ao Dr. António Fontes, na sua coluna de difamação que coloca todos os domingos, penso que o próprio deveria de arranjar melhores fontes, porque no que toca a essa rede de marketing multinível, entrei no último mês e perdi enquanto investidor. Daí não entender os seus comentários, mas quem nasce frustrado, morre frustrado.