As pressões e chantagens da Direita

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1 – A histérica gritaria do PSD e do CDS em torno do Orçamento do Estado para 2016, atingiu níveis de tal forma grosseiros e caricatos, que bem revelam a grande inquietação e incómodo dos especuladores e do grande capital, perante a evolução da situação portuguesa, onde a esquerda ganhou a maioria absoluta no Parlamento nacional.

Além desse alarido, o que mais indigna e revolta, é a atitude do PSD e do CDS em acompanhar as pressões sobre Portugal na União Europeia a pretexto do Orçamento do Estado, fazendo eco dessas chantagens e pressões, quando não são eles próprios a desavergonhadamente exigir inflexibilidade a Bruxelas, contra os interesses do povo e do nosso País.

Essa gente do PSD e do CDS manifesta esse incrível e reprovável comportamento, apenas porque têm o reles objetivo de impedir a inversão das políticas de exploração e empobrecimento que protagonizaram nos últimos quatro anos, e também para inviabilizar quaisquer medidas positivas para os trabalhadores e as populações, resultantes das resoluções do Governo PS, viabilizado pelo Partido Comunista Português, os Verdes, e o Bloco de Esquerda.

Na verdade, o PSD e o CDS reagiram dessa forma odiosa e destemperada, em primeiro lugar porque tinham já assente que os roubos e cortes nos salários e nas pensões, e os aumentos dos impostos sobre o trabalho que promoveram, não eram temporários, mas sim definitivos e irrevogáveis.

Em segundo lugar, esses serventuários dos agiotas do grande capital não se conformam que possam ser concretizadas no Orçamento do Estado medidas de inteira justiça, como o aumento do salário mínimo nacional, a majoração das prestações sociais do abono de família, do Rendimento de Inserção, e do Complemento Solidário para os idosos. Tal como também não se conformam com a justa reposição de salários na Administração Pública, com a redução e eliminação da sobretaxa do IRS, com a reposição dos complementos de reforma dos trabalhadores do SEE, com a introdução da cláusula de salvaguarda do IMI, com a redução da taxa do IVA na restauração, com a contratação de mais médicos de família, e com a diminuição das taxas moderadoras na Saúde.

E o que mais irrita e incomoda esses exploradores do povo português, é assistir ao fim da isenção dos ricos Fundos Imobiliários em sede do IMI, ao aumento das contribuições no sector bancário, às medidas para uma mais justa tributação dos lucros do grande capital, e sobretudo, a limitação de algumas escandalosas isenções fiscais.

Chega até a ser delirante vê-los de mão dada com os seus desprezíveis comentadores da comunicação social, a falar e defender, demagogicamente, os interesses da classe média, quando todos sabemos que nos últimos quatro anos, foram precisamente eles quem mais esbulhou e espezinhou os direitos, rendimentos e a dignidade das suas condições de vida.

E não contentes com tudo isso, PSD e CDS tudo fazem para desinformar os portugueses, e esconder que este Orçamento do Estado representa já uma mudança, ténue quanto a nós, mas apesar de tudo uma real mudança, pois se nos últimos quatro anos o rendimento disponível das famílias baixou mais de 11%, este é um Orçamento em que em vez de descer, esse rendimento das famílias portuguesas aumentará 2,5%.

De modo que, a referida chantagem e pressão da direita neoliberal europeia, apoiada pelo PSD e o CDS, serve por um lado, para assentar, como têm feito com a Grécia, uma visão política e ideológica sobre as opções do Estado Português, que deviam ser livres e soberanas. E por outro lado, também servem para travar os esforços do Governo do PS, apoiado pela esquerda parlamentar, para inverter o rumo de saque, exploração e empobrecimento, que a todo o custo querem continuar a impor a Portugal.

2- Em volta da preparação do Orçamento do Estado, uma vez mais ficou bem visível os grandes constrangimento para dar resposta aos enormes problemas que afetam a classe média, os trabalhadores e o povo, resultantes das nefastas consequências do monstruoso serviço da dívida pública gerada nos últimos anos. Pelo que, como já temos referido, é imperioso renegociar a dívida nos seus montantes, prazos e juros, com o fim de libertar meios financeiros, sem os quais é impossível promover o desenvolvimento do País, e a criação de empregos para a população e os jovens, que continuam a emigrar de forma maciça, deixando Portugal órfão do imprescindível e fundamental contributo da sua juventude.