Diretor do DN defende no Liceu jornalismo com valores a apontar soluções

 

Con Ricardo Oliveira
Ricardo Miguel Oliveira destaca a visibilidade que é preciso dar às notícias locais.

A Escola Secundária de Jaime Moniz promoveu esta manhã, em parceria com a Secretaria Regional da Educação, uma conferência sobre o “Papel da Comunicação Social”, tendo por orador o diretor do “Diário de Notícias” do Funchal, Ricardo Miguel Oliveira.

Na oportunidade, foi divulgado o suplemento mensal “Ponto e Vírgula”, uma publicação editada pelo DN, em colaboração com a SRE, fruto da participação ativa e diversificada de todas as escolas da Madeira. Esta palestra no Liceu serviu também para distribuir este suplemento pela comunidade escolar.

confer LiceuO presidente do Conselho Executivo da ESJM, Jorge Moreira de Sousa, salientou aos alunos a importância dos meios de comunicação na sociedade atual e enalteceu também o suplemento que é encadernado juntamente com as edições do DN, sendo uma forma de mostrar à opinião pública o trabalho das escolas e dos seus protagonistas.

A coordenadora do “Ponto e Vírgula”, Luísa Spínola, recordou que “o suplemento só existe para dar voz aos anseios e apelos dos alunos”. Começou por ter 8 páginas e hoje edita 16 páginas, na sequência da grande adesão das escolas.

O orador convidado sublinhou o gosto de estar a pisar o palco das escolas, porque sempre alimentou o sonho de “criar uma redação em cada escola”. De forma descontraída e objetiva, o diretor do DN-Madeira começou por aludir a “um ponto prévio” que define a missão do jornalista, com recurso a uma citação de Georges Orwell: “Jornalismo é publicar algo que alguém não quer que seja publicado. Todo o resto é publicidade…”

Por outro lado, Ricardo Oliveira destacou a importância do contacto que o jornalista mantém com os outros e, à laia de humor, referiu: “Quem tem alergia a pessoas não deve seguir o jornalismo”.

ponto e vírgula
O suplemento “Ponto e Vírgula”, elaborado pelas escolas e editado pelo DN, mensalmente.

Outro tópico desta conferência assentou nos valores que norteiam os jornalistas, bem evidentes no Código Deontológico, mas que Ricardo Oliveira procurou reafirmar: “Imparcialidade, isenção, verdade, rigor e liberdade”. A este respeito, o diretor do DN clarificou: “O jornalista não é um criminoso que anda por aí a fazer mal às pessoas. A nossa missão não é apontar o caminho mas os caminhos e compete às pessoas escolherem o seu caminho. Temos de ser de todos e não ser de ninguém”.

Ricardo Oliveira colocou também a tónica da sua intervenção num jornalismo isento: “Se estivermos demasiado comprometidos com um partido, uma marca, um clube ou uma empresa não seremos capazes de transmitir a informação com rigor e imparcialidade”.

Além dos valores, foram abordadas nesta comunicação aos estudantes do Liceu as estratégias de informação, sendo claramente assumida a opção de dar visibilidade ao local, isto é, ao problema da estrada, da escola, dos equipamentos, dos edifícios, do mosquito… É certo que, depois, estas questões locais poderão vir a ter mais tarde uma dimensão global.

Ricardo Oliveira defendeu ainda como importante “um jornalismo que não levante apenas os problemas mas que aponte também as soluções”, bem como uma “lógica de serviço” aos leitores, sem querer de modo algum substituir-se a outras entidades que também cumprem o seu papel na área dos serviços.

confe alunosPor fim, a mudança que os media sofreram não passou ao lado desta conferência: os suportes de divulgação da informação diversificaram-se e cada vez há mais interatividade da informação. Esta realidade produziu consequências nas redações. Segundo Ricardo Oliveira, “hoje, fazemos o mesmo com menos gente” e os jornalistas confrontam-se com um “excesso de informação”, tendo-se perdido “as fontes exclusivas”. Ninguém pode ficar sereno à espera da notícia porque a sua difusão acontece já em tempo real, graças aos suportes digitais da informação.

Fechando a sua intervenção, Ricardo Oliveira alertou ainda os jovens para o mundo em mudança, sendo importante a necessidade de “tomar a iniciativa e perceber a complexidade”.