Papa leva abraço ao México acima de qualquer ideologia

CUBA POPE
Um encontro histórico em Cuba entre dois mundos opostos. Foto A. Ecclesia

O Papa Francisco continua a surpreender o mundo pela sua coragem e abertura do coração ao mundo e às suas tão díspares ideologias. O abraço do Papa não tem nação nem pátria. Desta vez, o Sumo Pontífice visita o México ao longo de seis dias. Antes disso, passou por Cunba para, num ato inédito, encontrar-se com o patriarca ortodoxo de Moscovo, assinando uma declaração conjunta inédita na história das duas Igrejas.

Nesta deslocação ao México, o Papa Francisco quer focar a atenção do mundo nos pobres, nos migrantes e nas vítimas da violência, num país com grande número de católicos mas também com grandes assimetrias sociais.

Na chegada ao México, o Papa foi recebido pelo presidente Enrique Peña Nieto, a primeira-dama Angélica Rivera, e autoridades civis e religiosas, no aeroporto internacional “Benito Juárez”, para além de 5 mil pessoas distribuídas por duas bancadas.

Segundo relata a Agência Ecclesia, “um grupo de crianças ofereceu ao Papa uma caixa com terra dos 32 Estados do país, antes de uma apresentação musical de boas-vindas.

Milhares de pessoas acompanham o percurso em carro aberto até à Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé), residência pontifícia durante a viagem.

Francisco tem à sua disposição cinco papamóveis, incluindo os dois usados em setembro de 2015 nos EUA.

A 12ª viagem internacional do pontificado inclui passagens pela Cidade do México, Ecatepec, Tuxtla Gutiérrez e San Cristóbal de Las Casas (Chiapas), Morelia e Ciudad Juárez.

O Papa vai presidir a uma Missa ao ar livre na fronteira com os Estados Unidos da América, no próximo dia 17, para chamar a atenção dos responsáveis internacionais em relação aos problemas das migrações.

O papamóvel vai passar simbolicamente junto à fronteira México-EUA, para saudar também quem estiver do lado norte-americano.

No total, o Papa vai percorrer mais de 24 mil quilómetros, o equivalente a mais de meia volta ao mundo, em 12 ligações aéreas, de avião e helicóptero, que implicam quase 36 horas de voo.

O programa oficial começou neste sábado, com a cerimónia de boas-vindas no Palácio Nacional, a visita de cortesia ao presidente da República Mexicana e o encontro com as autoridades civis; já na catedral, Francisco tem um encontro com os bispos católicos do México.

Na tarde de hoje, o Papa vai presidir à Missa no Santuário de Guadalupe, “momento fundamental” desta viagem, segundo o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

O pontífice argentino já pediu tempo a sós junto imagem da padroeira da América Latina para um momento de oração pessoal, “tranquilamente sentado diante da Virgem Maria”.

No dia 14, Francisco segue em helicóptero até Ecatepec, nos arredores da Cidade do México, onde preside à Missa dominical perante uma multidão estimada em 400 mil pessoas, regressando depois à capital, para visitar os doentes do Hospital Pediátrico ‘Federico Gómez’.

A 15 de fevereiro, o Papa viaja mais de 740 quilómetros de avião até Tuxtla Gutiérrez, transferindo-se para San Cristóbal de Las Casas, localidade em que vai celebrar uma Missa com as comunidades indígenas de Chiapas, no sul do México, com cantos nas línguas locais, seguindo-se o almoço com oito representantes indígenas; de regresso a Tuxtla Gutiérrez, Francisco participa no Encontro com as Famílias, num estádio.

Na terça-feira, dia 16, o pontífice argentino visita a cidade de Morelia, cujo bispo foi criado cardeal pelo atual Papa em 2015, celebrando Missa com sacerdotes, religiosos, religiosas, consagrados e seminaristas; de tarde tem lugar o encontro com os jovens, de novo num estádio.

Já a 17 de fevereiro, Francisco percorre mais de 1500 quilómetros em avião até Ciudad Juárez (Estado de Chihuahua), na fronteira com os EUA, considerada uma das cidades mais violentas do mundo, com problemas ligados ao tráfico de pessoas e de droga, começando por visitar a conhecida prisão ‘CeReSo n.3’, onde estão cerca de 3 mil detidos; a agenda inclui um encontro com delegações de trabalhadores e movimentos populares.

A Missa final, junto à fronteira, vai contar com a participação de vários grupos de vítimas de violência, adiantou o porta-voz do Vaticano.

A chegada à capital italiana está prevista para a tarde de 18 de fevereiro.

O último Papa a visitar o México foi Bento XVI, em março de 2012, mas o agora Papa emérito não visitou o Santuário de Guadalupe para evitar os efeitos da altitude; João Paulo II esteve no México em cinco ocasiões: 1979, 1990, 1993, 1999 e 2002″.