Conferência debate desafios dos sobreviventes de cancro

hospital 2O que acontece a partir do momento em que alguém é considerado sobrevivente de cancro? A pergunta é o mote para a conferência a realizar esta quinta-feira, 4 de fevereiro, a partir das 9h30 na Biblioteca do Hospital dr. Nélio Mendonça.

Dinamizada pelo Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o encontro tem como missão debater os desafios e as dificuldades que se colocam a quem, após cinco anos sem evolução da doença, deixa de ser considerado doente e passa ao estatuto de sobrevivente, através da avaliação de uma junta médica.

E depois? As condições de acesso a cuidados de saúde, o relacionamento com a banca e os seguros ou mesmo o trabalho são dificultados, conforme indicam diversos testemunhos. A conferência “Sobreviventes de Cancro” pretende avaliar o que acontece às pessoas que “perdem” os apoios legais que tiveram durante o tempo de doença, no que diz respeito ao diagnóstico, tratamento, impostos, atribuição de uma percentagem elevada de invalidez, e outros benefícios.

Mais casos, menor mortalidade

Esta é uma situação cada vez mais recorrente. Em resultado do aumento da longevidade, o número de casos de doenças oncológicas tem sofrido um significativo aumento, mas em contrapartida os avanços terapêuticos e técnicos vêm permitindo níveis de sobrevida cada mais prolongados. Ou seja, existem mais sobreviventes.

A previsão de casos de cancro em Portugal aponta para um aumento de cerca 25% da incidência global da doença e, simultaneamente, uma diminuição dos números de mortalidade, em 2030. Isto é, um aumento do número de homens e mulheres sobreviventes a um cancro. Atualmente, os cancros com maior incidência são da mama na mulher, da próstata no homem e do colorretal em ambos os sexos. A melhoria significativa da sobrevivência a longo prazo (mais de cinco anos) e a diminuição de mortalidade que se tem verificado nos dois primeiros, deverá estender-se ao cancro colorretal, em particular com a generalização do seu rastreio.

Condições especiais dos doentes

O Estado Social tem previsto um conjunto de medidas para os doentes com cancro, que não se querem discriminatórias em relação ao comum do cidadão, mas apenas protetoras, oferecendo-lhes a condição de uma vivência normal e integrada na sociedade. Medidas relacionadas com o Serviço Regional de Saúde, de que são exemplos as taxas moderadoras, a comparticipação de medicamentos, as despesas com próteses e de deslocação, entre outros. Ao nível da Segurança Social, destaque-se a proteção na doença e incapacidade profissional, proteção especial na invalidez, proteção a crianças e jovens deficientes, isto para além de benefícios fiscais (IRS, IVA, Imposto Sobre Veículos, Imposto Único de Circulação) e outros benefícios associados ao crédito à habitação e medidas de estímulo ao emprego ou arrendamento.

E depois da doença?

Passados cinco anos da doença, uma junta médica emite um parecer mediante a avaliação de um relatório médico. Se esse relatório médico atestar que não há doença evolutiva, o doente “perde” grande parte da percentagem de invalidez e as condições especiais de que beneficiava. E, de acordo com vários testemunhos, surgem as dificuldades nos empréstimos bancários, nos seguros e nos emprego, ou ainda problemas ligados à fertilidade ou às condições de acesso a cuidados de controlo médico a longo prazo.

A conferência “Sobreviventes de Cancro”, promovida pelo NRM-LPCC, pretende desta forma debater os aspetos médicos, sociais, psicológicos e relações laborais com a banca e seguros dos sobreviventes de cancro em Portugal.

A iniciativa conta com a colaboração da Secretaria da Saúde e da Secretaria da Inclusão e Assuntos Sociais, com patrocínio da Pastelaria Penha d’Águia.