Risoterapia para piegas no Parlamento

joao-abel-torres

Milhões de portugueses “fartaram-se de rir” quando o extinto governo lhes cortou salários, pensões e reformas e quando lhes aumentou brutalmente os impostos, chegando ao ponto de querer camuflar os cortes com os duodécimos do subsídio de Natal. Mas que dizer das “barrigadas de riso” dos condenados ao desemprego, à precariedade, à emigração forçada ou à perda da única moradia de habitação por dívidas ao fisco ou à banca.
Para os laranjinhas ou centristas inamovíveis ou voluntariamente cegos, a Coligação, que “Deus tenha”, governou esplendidamente, não vendeu nada que não devesse, não privatizou lucros, nacionalizando prejuízos, não forçou à emigração jovem e menos jovem, não fechou escolas, hospitais, tribunais, não aumentou impostos, não esmagou a classe média, nem reduziu o valor do trabalho.
Na verdade, (a verdade da extinta Coligação) nem Cristo foi capaz de tantos e tão admiráveis milagres!
E, não menos importante, a Coligação nunca mentiu, nem disse inverdades ou faltou à verdade, como o próprio Pinóquio poderá testemunhar.
Apesar de tanto ter obrado, lá está, numa cadeirita menor, o agora reduzido a deputado Pedro Passos, ele que já se via perpetuamente no cadeirão de Primeiro-Ministro, tal como o eterno Nuno Melo no Parlamento Europeu, mas está agora visivelmente diminuído no estatuto e na autoestima. É de chorar… a rir!
Naturalmente, já que fica mal chorar, Passos ri-se num espetáculo de “stand-up comedy” de mau-gosto, encarnando o cavaleiro da “triste figura”, enredado nas pás do moinho, perante a impotência do seu ajudante Sancho Pança.
Cheio de pseudo-verve humorística, ri-se, mas agora no rés-do-chão do Parlamento. Com toda a certeza a lembrar-se do gato-sapato que fez à Constituição e do “bullying” ao Tribunal Constitucional? Ri-se da piadola dos “cofres-cheios”? Ri-se da anedota que foi o défice excessivo e o aumento da dívida? Ri-se do caso Tecnoforma? Ri-se dos seus esquecimentos em matéria de obrigações fiscais? Ri-se da desmascarada falácia da devolução da sobretaxa? Ou será do mito do desemprego em queda? Ri-se de ter sido ele o indigitado, e Costa o indicado, mas, afinal, não se ri de ter sido ele a ficar em “banho-maria”? Ri-se Passos da Constituição que previa esta nova moldura parlamentar ou, antes, ri-se dele a Constituição? O último a rir ri melhor, lá reza o ditado. Curiosamente, no caso vertente, a última a rir foi mesmo a Constituição, aquela que Passos, num último ato de desespero piegas, quis adulterar a ver se ainda reganhava o poder. Resumindo, pieguices de orgulho ferido e cabeça perdida. À política o que é da política. Ao espetáculo o que é do espetáculo.
Piegas, piegas foi, ainda, (como o próprio disse dos portugueses que condenou ao empobrecimento e à indignidade) ver o deputado Passos e uma considerável “entourage” de “boys”, a pular de canal de televisão em canal de televisão a destilar veneno, tentando refrear um choro pieguinhas quando se viram inapelavelmente obrigados a descer da poltrona de trono para agachar os quadris nos banquinhos mais rasteiros do Parlamento.
Na impossibilidade de chorar “lágrimas de crocodilo”, Passos optou agora por rir, quase histericamente (há quem lhe reconheça um invulgar talento, entre o cinismo e a galhofa, muito aparentado com modos de carroceiro) com o apoio dos também sempre tenebrosamente risonhos Luís Montenegro e Marco António Costa, numa espécie de tríade que faz lembrar os manos comediantes Grouxo Marx, com a diferença fundamental da absoluta falta de talento e autenticidade dos primeiros. Enfim, mesmo sem talento, aquilo é que foi uma “retoiça”!
Pena é, para os interessados em investir no potencial cómico da trupe, já não poderem contar com os humorísticos trocadilhos, joguinhos de palavras e impagáveis números de camaleão do irrevogável Paulo Portas, do tipo “X is best friend of Y”, (Cuidado, que ele vai andar por aí com as suas irresistíveis boinas!) para que a sessão de risoterapia do extinto governo seja absolutamente hilariante. E, por falar em Portas, segundo me dizem, decidiu dedicar-se à batalha naval, na especialidade de mandar submarinos ao fundo, rindo-se “a bandeiras despregadas” porque ninguém os consegue fazer trazer à superfície.
Seja como for, anda o país a pagar a estes riquetes e alegretes apeados do poder para assistir a números de circo, à mistura com umas birras piegas de maus perdedores, acompanhadas da indisfarçável e incurável azia, depois de registarem olimpicamente um tempo-recorde de onze dias a governar!!! Atenção que nem mesmo o “governo-relâmpago” de Santana Lopes ou a fuga de Durão Barroso para a Comissão Europeia (foi só o tempo de mudar da tanga para a fatiota à medida e finórios botões de punho) seriam tão merecedores de uma referência no Guiness Book of Records… Proponho que se faça já uma petição nesse sentido.
Enfim, a risoterapia está na moda e recomenda-se, mas verdadeiramente o que não disfarça é a frustração e falta de chá de que a bancada Pàf tem vindo a dar provas mais do que… Alguém disse “piegas”? Seja.
Esperemos, pois, que a risoterapia de Passos Coelho e seus pares seja realmente terapêutica, na medida em que ajude eficazmente no processo de cura. O ideal é praticá-la em grupo com o fim de criar contágio, sabendo rir-se de si próprio, (motivos e espelhos não lhes faltam) preferencialmente para ajudar a libertar o stress, os pensamentos e energia negativos, resultantes da peste neoliberal, do radicalismo crónico, da subserviência viral aos mercados, à banca e alta finança, a agiotas e especuladores de que a bancada do PSD e do CDS de há uns anos a esta parte gravemente padecem. Votos de rápida recuperação e muito Colgate branqueador nas dentaduras.


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