
Os responsáveis pela saúde na Região não têm soluções miraculosas para os idosos que são abandonados pelos familiares nos corredores dos hospitais. O problema, mais conhecido como as altas problemáticas, é estrutural e os números do SESARAM apontam para uns 70 casos, segundo afirma ao FN o diretor clínico, Eugénio Mendonça.
De forma frontal e taxativa, Eugénio Mendonça considera que se chegou a um ponto em que “é preciso criar um novo paradigma para as altas problemáticas”. É uma reflexão que pertence aos políticos, observa este também médico anestesista. Na sua ótica, a melhor forma de dar resposta às altas problemáticas é avançar com a construção do tão falado novo hospitalar que permitiria “criar uma espécie de hospital de retaguarda técnica para acolher esta população. Por exemplo, num cenário de futuro, de um novo hospital a funcionar, as unidades Nélio Mendonça e Marmeleiros poderiam dar uma outra resposta a esta problemática”.

Mas, como também em saúde, tudo depende de números ou dinheiro, este último cada vez mais escasso, Eugénio Mendonça considera que a solução realista e possível tem sido aquela com que o sistema se tem vindo a confrontar: o hospital também com uma vocação de quase um “lar” para idosos, porque as famílias – os que as têm – não têm condições para cuidar e dadas as dificuldades de sobrevivência da população, cumpre-se a função social hospitalar. No fundo, é o hospital a “tapar buracos” dadas as fragilidades e carências extremas da população
As altas problemáticas continuam a ter como reflexo imediato e negativo a ocupação de vagas para os doentes considerados agudos nas várias áreas médicas.

A esperança de vida aumentou e hoje já ninguém se admira de ver um homem viver além dos 80 anos de idade, lembra Eugénio Mendonça. No entanto, também é verdade que “esta população é cada vez mais dependente de terceiros e é muito difícil sobreviver sem a ajuda do Estado. “Compete ao Estado olhar para os seus idosos”, conclui Eugénio Mendonça.

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