Diretor clínico vê no novo hospital a solução para as altas problemáticas

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Os idosos vivem cada vez mais mas são também muito dependentes. Fotos Rui Marote

Os responsáveis pela saúde na Região não têm soluções miraculosas para os idosos que são abandonados pelos familiares nos corredores dos hospitais. O problema, mais conhecido como as altas problemáticas, é estrutural e os números do SESARAM apontam para uns 70 casos, segundo afirma ao FN o diretor clínico, Eugénio Mendonça.

De forma frontal e taxativa, Eugénio Mendonça considera que se chegou a um ponto em que “é preciso criar um novo paradigma para as altas problemáticas”. É uma reflexão que pertence aos políticos, observa este também médico anestesista. Na sua ótica, a melhor forma de dar resposta às altas problemáticas é avançar com a construção do tão falado novo hospitalar que permitiria “criar uma espécie de hospital de retaguarda técnica para acolher esta população. Por exemplo, num cenário de futuro, de um novo hospital a funcionar, as unidades Nélio Mendonça e Marmeleiros poderiam dar uma outra resposta a esta problemática”.

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Eugénio Mendonça defende que o Estado deve apoiar os idosos.

Mas, como também em saúde, tudo depende de números ou dinheiro, este último cada vez mais escasso, Eugénio Mendonça considera que a solução realista e possível tem sido aquela com que o sistema se tem vindo a confrontar: o hospital também com uma vocação de quase um “lar” para idosos, porque as famílias – os que as têm – não têm condições para cuidar e dadas as dificuldades de sobrevivência da população, cumpre-se a função social hospitalar. No fundo, é o hospital a “tapar buracos” dadas as fragilidades e carências extremas da população

As altas problemáticas continuam a ter como reflexo imediato e negativo a ocupação de vagas para os doentes considerados agudos nas várias áreas médicas.

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Uns ainda matam o tempo no jogo de cartas. Outros, dependentes, sofrem a solidão do abandono nos hospitais.

A esperança de vida aumentou e hoje já ninguém se admira de ver um homem viver além dos 80 anos de idade, lembra Eugénio Mendonça. No entanto, também é verdade que “esta população é cada vez mais dependente de terceiros e é muito difícil sobreviver sem a ajuda do Estado. “Compete ao Estado olhar para os seus idosos”, conclui Eugénio Mendonça.

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