
Não se entende (e ainda alguém há de explicar este fenómeno) porque é que se vulgarizou o mau costume de adulterar o nome de um grande número de políticos. Quem é que sabe, por exemplo, que Maria da Assunção de Oliveira Cristas Machado da Graça é Assunção Cristas? Será opção da comunicação social ou dos próprios? Ou será para soar a nome de marquês ou marquesa?
Após a retirada estratégica da liderança do CDS-PP em “noite bonita” (segundo palavras do próprio) de Paulo Sacadura, mais conhecido como Paulo Portas, Maria da Assunção (que quando chegou a ministra da agricultura não distinguia uma couve de uma alface) deixou claro que só avança para a liderança do CDS-PP se o João Nuno, vulgo Nuno Melo, optar por voltar a ser eurodeputado.Há já quem o defina, fruto dos muitos anos na estranja, como o eterno emigrante de luxo do Parlamento Europeu. Assim haja quem lhe pague os fatos e subsidie os botões de punho.
Mesmo dentro do CDS-PP há quem pense que se é para acabar com o CDS, então a candidatura do João Nuno será a melhor aposta. Aos 48 anos diz que não vê a política como carreira, por isso continua a exercer advocacia, principalmente aos fins de semana. Parece-me haver aqui contradição nos termos, mas pode ser só impressão minha…
Já impressão de outros é a de que, com João Nuno aos comandos do CDS-PP, o “partido do táxi”, como passou a ser designado por alguns, pode passar a partido da trotineta e desaparecer de circulação em dois anos.
Acresce à lista Telmo Augusto, vulgo Telmo Correia, ex-ministro do Turismo e ex-líder parlamentar, outro candidato “de peso” à mais reservada classe turística do partido. O deputado do CDS-PP ficou famoso por assinar cerca de três centenas de despachos como ministro do Turismo na madrugada do dia em que o executivo de Santana Lopes caiu. Apesar de estar em gestão corrente, o ex-ministro do Governo de Santana Lopes fez uma verdadeira maratona que quase não lhe deu tempo para se inteirar do que estava a assinar à pressa, alegadamente após ter passado mais de uma dezena de dias sem ir ao Ministério do Turismo. Faz sentido. Ministro do Turismo tem que fazer justiça ao nome da pasta. Porém, a continuar assim, adivinha-se que perderá por “falta de comparência”.
Mas há ainda António Carlos, líder da distrital de Lisboa do CDS/PP, que parece também ser candidato, a modos que só para “ficar alguém à baliza”.
António Filipe, mais conhecido como Anacoreta Correia, também não excluiu a possibilidade de apresentar-se à corrida à liderança do partido.
Sabe-se das suas discordâncias com o anterior líder, tendo mesmo afirmado ainda no exercício de funções do governo PSD/CDS que, apesar de ser normal alguma tensão na coligação entre o PSD e o CDS, o último tem um “problema de coerência” e “não sabe o que quer”, o que se tornava “dramático para o País”. A falar assim, não é de admirar que lhe falte “claque” de apoio.
Sabe-se também que Luís Pedro, o conhecido Mota Soares, Ex-ministro da (in)Segurança Social, que entrou para o anterior governo de lambreta, evoluindo depois para o habitual carrão preto, está fora da corrida, tal como João Rodrigo, mais conhecido como João de Almeida, que diz que vai “correr por fora”. João Rodrigo, primeiro nome do CDS na lista da coligação “Portugal à Frente” pelo distrito de Aveiro, também ficou célebre por ter afirmado que os eleitores obrigavam-no a mentir para poder ganhar as eleições. Compreende-se, pois, que não venha a candidatar-se porque as eleições não são a 1 de abril, mas, mesmo noutras datas, depois do que confessou, parece difícil alguém fiar-se nele.
Entretanto, Paulo Sacadura “vai assistir ao jogo da bancada”, de cachecol do partido ao pescoço, mas sem apoiar nenhum dos “jogadores” ou festejar “golos”. Neste momento já deverá ter o espírito concentrado na sua campanha televisiva pré-presidencial a longo prazo, na qualidade de eventual substituto de Marcelo Nuno, mais conhecido como Marcelo Rebelo de Sousa. Calcula-se que a esta hora Paulo Sacadura já esteja ocupado a fazer a seleção da sua biblioteca, da qual farão parte, estamos certos, os maiores romances escritos até hoje sobre submarinos.
Em suma, o 26.º congresso já está marcado para 12 e 13 de março para sabermos quem vai usar as típicas boinas de homem da lavoura do anterior líder para visitar mercados e feiras, distribuir beijos e abraços de campanha a vendedoras de peixe e de legumes ou fazer promessas a reformados e pensionistas, igualmente mais conhecidos por alguma direita, dita democrática, não por nomes dignos de gente, mas, insultuosa e ingratamente, como “peste grisalha”.
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