O Governo Regional não dá por concluído o processo de retoma da ligação ferry entre a Madeira e o continente.
Apesar de nenhum dos sete armadores ter avançado para a fase final alegando a inviabilidade financeira da operação, o Executivo Regional espera agora que Lisboa entre em cena.
“Inicia-se agora uma nova fase que só é possível na continuidade desta e de todo o trabalho até agora desenvolvido. A alternativa passa por reclamar ao Governo da República o interesse público da linha, alterando o quadro legal em conformidade com esse entendimento e partindo para um concurso público internacional, que terá por base o trabalho desenvolvido nos últimos meses, assim como a eventual inclusão do arquipélago dos Açores, dentro da rota a estabelecer ou outras rotas”, explicou-se, esta manhã, na conferência de imprensa destinada a apresentar o Relatório final da auscultação desenvolvida no âmbito do processo de restabelecimento da linha marítima entre a Região e o continente português.
Na conferência de imprensa concedida pelo secretário regional da Economia, Turismo e Cultura, Eduardo de Jesus ficou a saber-se quem foram os armadores que foram auscultados para o restabelecimento da linha ferry. A saber:
- Hellenic Shipping/Hellenic Seaways,Transportes Marítimos S.A. (Grécia)
- Grandi Navi Veloci (Itália), representada em Portugal por MSC Cruzeiros
- Transinsular, Transportes Marítimos Insulares, S.A. (Portugal)
- Empresa de Navegação Madeirense Lda. (Portugal)
- FRS, Fast Realiable Seaways (Alemanha)
- Matrix, Marine Group (Chipre)
- Naviera Armas (Espanha)
Iniciada em julho, esta auscultação envolveu numa primeira fase a Secretaria de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações (Sérgio Monteiro); a Associação dos Portos de Portugal (Vítor Caldeirinha) e o Instituto de Mobilidade e Transportes (João Carvalho). A 15 de outubro, o dossiê passou para o grupo de trabalho na RAM.
Nenhum dos armadores consultados mostrou interesse, nas actuais condições, apesar do Governo Regional ter criado condições favoráveis, atrativas e competitivas do que aquelas que se apresentaram no passado, nomeadamente:
- A criação de um pacote de incentivos fortemente aliciante ao nível das taxas portuárias:
- 1º Ano: isento do pagamento de todas as taxas
- 2º Ano: redução de 85% sobre todas as taxas
- 3º Ano: redução de 70% sobre todas as taxas
- 4º Ano e seguintes: redução de 50% sobre todas as taxas.
- A liberdade de escolha do porto de origem e de destino, cuja definição caberia ao armador.
- A definição de um subsídio com valor variável e percentual, em função da modalidade da viagem.
- Viagens sem acomodação: 50% do preço total do bilhete
- Viagens com acomodação: 40% do preço total do bilhete
- Viagens sem acomodação + viatura: 40% do preço total do bilhete
- Viagens com acomodação + viatura: 30% do preço total do bilhete
- O compromisso para a promoção da linha no mercado nacional (80 mil euros anuais).
- A possibilidade de benefício das condições do SI 2020, quanto às importações de matérias-primas para reprocessamento na RAM e exportação de produtos transformados.
- A prorrogação do prazo de entrega das propostas, a pedido dos armadores, para que ninguém ficasse excluído.
Segundo os dados apresentados na Conferência de imprensa, a operação, para já fica em stand-by dda a inviabilidade financeira da operação [Em 2011, esta linha registou cerca de 20 mil passageiros, sendo que apenas 3% da população residente utilizou o navio (8.500 madeirenses/ano) e a carga transportada para a Região não chegou aos 10%.].
Além disso, a sazonalidade da procura foi outras das razões apontadas (Em 2011, 55% do movimento de passageiros concentrou-se nos três meses de verão, sendo que, nos restantes nove meses, a procura foi altamente redutora).
Outro argumento apontados pelos armadores foi os elevados custos de exploração para assegurar uma alternativa, com o mesmo grau de conforto da solução havida no passado.
“Atualmente, a prestação deste serviço de transporte marítimo ferry tem enquadramento no Decreto-Lei n.º 7/2006, de 4 de janeiro, que regula o transporte de passageiros e de mercadorias, na cabotagem nacional e a operação propriamente dita carece da autorização do IMT. No futuro e em função do que vier a ser a decisão do Governo da República, este quadro legal deverá sofrer alterações, até numa lógica desta linha ser entendida como de interesse público nacional, respeitando-se, com isso, o principio da continuidade territorial”, disse-se na conferência de imprensa.
Já foi enviada uma Carta, pelo Presidente do Governo Regional, ao Primeiro-ministro, da qual consta, precisamente, esta posição.
Segundo Eduardo de Jesus, “com esta solução [concurso público internacional] todas as regras ficarão definidas num caderno de encargos e serão previstas compensações financeiras pagas diretamente ao armador, suportadas pela República”.
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