A poeira assentou

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Ao longo de dois meses, lemos, vimos e ouvimos coisas que todos aqueles que têm mais de 50 anos, recordarão.

No dia 4Out. a maioria dos Portugueses, deitou-se na convicção de que teríamos um governo negociado entre a PàF –obtivera mais votos – e o PS. Fui um dos que imaginaram que a hipótese de acordo à esquerda era apenas o PS a tentar valorizar a sua posição negocial. À medida que o tempo passava ganhava força a ideia de que o PS estava namorando, para “casar”, à esquerda.

A 4Out. os Portugueses deveriam ter julgado os 4 anos de governo da PàF. Isso não aconteceu, graças à inteligente estratégia de propaganda montada. Acho que este foi, se não o pior, um dos piores governos desde 1976. A Reforma do Estado, foi aquilo que se viu na leitura feita, pelo Dr. Portas, do patético guião; nas privatizações – delas ainda pouco sabemos – com o fecho de estações dos CTT, para garantir o rendimento aos investidores, já sentimos os efeitos; o fisco trata-nos como criminosos até que provemos o contrário; atiraram desempregados contra trabalhadores e “grisalhos” contra jovens. Porém, nada disto impediu que tivessem mais votos que o PS. Tudo foi esquecido na campanha, nela não se falou dos méritos do governo. Uma única coisa disse a PàF: não votar em nós é voltar à bancarrota. O medo, sempre ele, funcionou.

Inicialmente incrédulos, como eu, os dirigentes da PàF, perderam a paciência, quando viram o “casamento” desfeito. Fizeram o papel da jovem prendada a quem o “Papá”, amparando-a, durante 4 anos, antevia-lhe casamento com parceiro previamente anunciado. Sem “casório” houve choro, cartas rasgadas e fotografias devolvidas, e, o azedume do “Papá” foi grande. Toda a família da jovem repudiada descarregou a bílis sobre o traidor. A dicotomia direita esquerda, erradamente, foi levada longe demais em prazo e acrimónia.

Na mobilização das pessoas, pró e contra PàF, revivia-se a emotividade de 1975. Os cidadãos, felizmente, não viam motivos para se mobilizarem como nos tempos em que a construção civil cercou o Parlamento. O desvario foi tanto que, não fora o bom senso do candidato Marcelo Rebelo de Sousa, e ele teria comprometido a sua eleição se ousasse – como lhe solicitaram – dizer que demitiria o recém-empossado Governo, na 1ª oportunidade.

Assente a poeira, temos pela frente uma nova realidade protagonizada pelas eleições Presidenciais. O bom senso voltou. Marcelo, mesmo não satisfazendo o pedido, acabou apoiado pelos partidos da PàF. A cisão direita esquerda, havendo 2ª volta, voltará. Será, ao que parece, uma disputa entre Marcelo e Sampaio da Nóvoa. Espero que, recordando o episódio das legislativas, se baixe a temperatura que esteve escaldante demais. Ganhe um ou outro, não será o fim do Mundo.

A minha escolha é Sampaio da Nóvoa. Precisamos de alguém que, respeitando os partidos, não tenha com eles os vínculos que tem o Prof. Marcelo É vê-lo a fugir a sete pés da indesejada herança do actual inquilino de Belém apesar das afinidades ideológicas que, partidariamente, há anos, lhes conhecemos.


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