
Apelos à unidade e ao consenso foram a tónica do XV congresso regional do CDS-PP/Madeira que teve início esta tarde, no Funchal. O momento acabou por resultar no confronto aberto entre Ricardo Vieira e os restantes proponentes de moção de estratégia global, em especial Rui Barreto e Lopes da Fonseca, assumidamente apostados em acabar com um ciclo conotado com “parentescos e estatutos divinos. Os recados ao programa personificado em Ricardo Vieira foram repetidos ao longo da tarde. As quatro moções em análise querem um CDS-PP mais aberto à sociedade e à meritocracia, de forma a reforçar o papel de principal partido da oposição na Madeira.
O XV congresso regional foi agendado para definir as linhas estratégicas para os próximos tempos e escolher uma nova liderança, mas que acabou marcado pelo abandono inesperado de Ricardo Vieira, um dos subscritores da moção A, que consequentemente acabou por ser retirada da ordem de trabalhos.
O episódio causou algum desconforto e estupefação nos congressistas que assistiam ao início dos trabalhos, levando à suspensão do congresso durante meia hora.
Refeitos do incidente, a maioria dos congressistas voltou à sala para ouvir as propostas contidas nas quatro moções candidatas.
Moção B: Transparência e meritocracia
Dando a cara pela moção B – “Missão 2019” -, Rui Barreto elegeu a transparência, a meritocracia, a qualidade e o rigor como as linhas mestras da sua proposta, afirmando pretender uma nova liderança apostada no trabalho e na credibilidade junto da sociedade madeirense.
Reportando-se ao incidente Ricardo Vieira, pediu unidade. “Os nossos adversários estão lá fora e não cá dentro. Quero um CDS a combater o PSD ao nível regional e nas autárquicas”, sublinhou, considerando José Manuel Rodrigues, “o melhor líder até ao momento” o responsável pelo capital político alcançado pelo partido.
O ex-deputado centrista à Assembleia da República e candidato assumido à liderança do CDS-PP/Madeira, deu a conhecer as duas principiais linhas estratégicas presentes na moção que subscreve. Ao nível interno, apostar nas sinergias resultados entre a experiência dos mais antigos e a capacidade de inovar dos novos quadros. Externamente, defendeu a apresentação clara inequívoca das prioridades do partido á sociedade, em matérias como economia, turismo, agricultura, gestão financeira e sistemas político e fiscal da Região. “Não há que ter medo de dizer o que pensamos e de dialogar com a sociedade”.
Concretamente, a moção B propõe a publicação das contas do partido em plataforma digital, a criação de gabinetes autárquico e de informação. Defende ainda a escolha de candidatos no futuro através do mérito e não por critérios de “direito divino”.
Relativamente à Juventude Popular, Rui Barreto entende ser necessário definir regras de articulação entre o partido e a estrutura juvenil.
Terminou a sua intervenção, defendendo que ” a Madeira precisa de um partido renovado e rejuvenescido”, tendo sido aplaudido efusivamente pela assembleia.

Moção C: Não às coligações
A porta-voz da moção C veio exortar o CDS-PP a assumir o protagonismo na dignificação da vida e postura política da Região. Jenny da Silva elegeu como princípios estratégicos a moralidade, o equilíbrio, a justiça e a dignidade em favor da causa pública, uma responsabilidade que considera essencial não defraudar enquanto maior partido da oposição na Madeira.
A cara da moção “CDS-PP a partir de agora…” recordou que foram os populares quem liderou o processo de mudança de ciclo na Região e que culminou com a queda do jardinismo, apelando à consolidação do potencial para liderar a agenda política na Região.
Para esta proposta, o partido não deverá recusar quaisquer coligações, já que as experiências anteriores tiveram resultados negativos, desvirtuando a mensagem e o peso político da estrutura partidária.
Moção D: unidade e consenso
Foi Lopes da Fonseca, o proponente da alteração da ordem de trabalhos, situação que levou à saída inesperada e agastada de Ricardo Vieira do congresso, quem apresentou a moção D, intitulada “Unidos, para preparar o presente, gratos pelo passado, a olhar o futuro”.
Lopes da Fonseca, que estava à espera de propor uma terceira via para a liderança, baseada no compromisso entre as listas de Rui Barreto e Ricardo Vieira, foi apanhado pelo imprevisto abandono de Ricardo Vieira antes da discussão das medidas e consequente retirada da respetiva moção. Por isso, dirigiu os seus apelos diretamente a Rui Barreto, pedindo o seu apoio a uma liderança que reúna o consenso e a unidade em torno do projeto futuro do CDS-PP.
Numa alusão ao episódio do início da tarde, o líder parlamentar disse esperar que as vozes dissonantes mantenham a sua disponibilidade para ajudar o partido, ao diálogo e à unidade. “O partido não exclui ninguém, mas se não o quiserem fazer vamos continuar o nosso percurso indiferentes à satisfação de interesses pessoais”.
Para Lopes da Fonseca os sinais de fratura acentuaram-se após 4 de outubro, com a saída de José Manuel Rodrigues da liderança, fruto do desaire eleitoral nas legislativas nacionais, e com o surgimento de uma candidatura apoiada por Ricardo Vieira. No seu entender, a opção personificada por João Catanho iria fracionar fatalmente o partido, com consequências ao nível dos resultados eleitorais nas autárquicas.

Moção E: Estatuto de “simpatizante”
Distanciando-se dos apelos à unidade, o porta-voz da moção E – “O eixo da roda e o fio de prumo” – defendeu uma linha estratégica de respeito pelo ADN do partido, baseado no primado do bem comum, da dignidade humana e da ética. “Queremos ser partido do poder, mas sem desvirtuar a nossa matriz”, avisou Raúl Ribeiro.
Deixou igualmente recados duros à assembleia do congresso, dizendo que o partido deverá dispensar militantes descartáveis, apostando sim em pessoas com massa crítica e com méritos ao nível associativo e político.
Raúl Ribeiro defendeu a criação do estatuto de “simpatizante”, de forma a ganhar contributos válidos da sociedade, e a melhoria na comunicação com os autarcas centristas, dando maior apoio à sua ação e qualificação.
Ao nível da elaboração das listas e dos candidatos no futuro, propôs um processo assente na auscultação das bases e na validação pelo conselho regional do partido.
O congressista terminou a sua intervenção afirmando que estará disposto a apoiar uma liderança que se proponha a realizar uma auditoria às contas da estrutura partidária.
Os trabalhos continuam este domingo, a partir das 09h30, com o anúncio das listas candidatas aos órgãos do partido e início da votação. A divulgação dos resultados e a tomada de posse dos novos dirigentes está marcada para o meio dia. Será então conhecido quem será o novo líder do CDS-PP/Madeira.
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