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Com o grande contributo dos atentados terroristas de 13 de Novembro em Paris, que causaram 130 mortos e 650 feridos, e ainda em resultado da crise migratória na Europa, e do crónico desemprego que alastra em França; no domingo 6 de Dezembro, o partido da extrema-direita Frente Nacional (FN) da senhora Le Pen foi o vencedor da primeira volta das eleições regionais francesas, e apesar de na 2ªvolta eleitoral, com mais de 30% da votação ter sido levemente ultrapassado pelo partido da direita e centro direita de Nocolas Sarkozy, prenuncia e ameaça estar bem lançado para disputar a vitória nas eleições presidenciais que acontecerão em 2017.
Este facto torna-se preocupante, porque a Frente Nacional (FN) continua a ser um partido reacionário, xenófobo, intolerante, profundamente antieuropeu, e atentatório dos valores da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que inspiraram a República Francesa e a própria construção europeia. De resto, o que também é verdadeiramente inquietante, é que este problema não será exclusivo da França, pois a extrema-direita reina na Hungria de Victor Órban e no recém-eleito governo de Beata Szydlllo da Polónia, enquanto do outro lado do espectro, ou seja na esquerda e na extrema-esquerda europeia, avançam fortes forças políticas, igualmente muito eurocéticas, na Grécia, na Espanha, e no Reino Unido, onde cresce o atual Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn.
No meio de tudo isto, como justificação do imperativo de travar uma implacável luta contra o terrorismo, são manifestos e preocupantes os desvios militaristas e as flagrantes violações aos direitos e liberdades fundamentais, de que são um bom exemplo a crescente aceitação das teses musculadas de Sarkozy e quejandos. De notar que as espetaculares medidas de segurança para colocar as populações à distância e evitar incomodas manifestações populares em torno da realização em Paris da Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas (COP 21), suscitaram a indignação e muitos protestos dos sectores democráticos e progressistas da sociedade francesa, que criticaram fortemente a violenta e selvática repressão contra os manifestantes da Praça da República. Críticas que também se estenderam aos bombásticos e alarmantes títulos da imprensa gaulesa do tipo «a segurança foi reforçada e as manifestações de rua canceladas»; «Paris recebe a cimeira do clima em pleno estado policial»; «mais de 120.000 polícias e militares protegem a cimeira do clima», e outros semelhantes.
Por todas estas circunstâncias, justificam-se algumas ondas de preocupação sobre para onde caminha esta França, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, potência nuclear com papel destacado na União Europeia, com crescentes intervenções militares, políticas e económicas em certos países africanos que procura recolonizar, e que é um dos principais países capitalistas do Mundo.
Tanto mais que a grande burguesia francesa nunca deixou de ser problemática e inquietante, pois tem um longo historial de crimes contra o movimento operário e democrático e contra os movimentos de libertação coloniais, como ficou patente na capitulação diante de Hitler e consequente cooperação com o regime colaboracionista de Vichy, com a violenta guerra na Indochina cujo heroico povo só se libertou após a célebre vitória de Dien Pien Phu, e com o monstruoso terrorismo fascista da OAS contra os patriotas argelinos na violentíssima guerra da Argélia.
Contudo, apesar de tomarmos na devida conta esses protestos contra os caminhos de repressão que a classe dominante francesa tem mostrado vontade de trilhar, estamos confiantes que não passarão. Isto porque acreditamos na determinação e resistência da outra França popular e revolucionária, a França das luzes, da luminosa Revolução de 1789 e da empolgante Comuna de Paris em que pela primeira vez os trabalhadores conquistaram o poder.
Está ainda bem viva e é nela que apostamos, a França da Frente Popular e da heroica Resistência à ocupação nazi, a França da cultura, das liberdades, e dos valores progressistas, a França onde milhares de militantes antifascistas portugueses encontraram o refúgio e o calor da solidariedade, na sua longa luta contra a negra noite fascista.
Esta França está de novo em perigo, é certo. MAS, UMA VEZ MAIS TRUNFARÁ.
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