Afirmou-o António Gedeão. Não sou eu quem irá contestá-lo, até porque gosto do poema. A interrogação tem que ver com o SONHO em si mesmo. Ele comanda a vida. Porém, umas vezes, desistimos deles, noutras, eles nascem em cabeças poderosas que impondo-os a outros Homens, serão, para eles, verdadeiros pesadelos. A minha escolha recaiu, intencionalmente, sobre Rómulo de Carvalho. A razão tem que ver com o facto de, neste caso, um homem das Ciências Exactas ser um poeta. Sou de uma geração em que, na juventude, se atribuía maior importância às Ciências do que às Humanidades. Chamar-se poeta a alguém era considerá-lo fora da realidade, por andar com os “pés no ar”.
Vem este intróito a propósito de uma simbiose que juntando, uma das mais antigas vertentes das Humanidades – a Retórica – a uma Ciência Social – a Economia – se procura dar base científica a “sonhos” que, objectivamente, não passam de grandes pesadelos. Um exemplo facilita. Empossada em 2011, a coligação PPD/CDS apresentou-nos, como Min das Finanças, Victor Gaspar. O “enorme aumento” de impostos foi seu. Deixou-nos num Adeus, impregnado de forte convicção que a “Retórica” não se entendia com os seus conceitos.
Os políticos, donos da retórica, adoram ter a seu lado quem, fazendo tábua rasa das regras da economia, lhes fundamente os “sonhos”. Estancada a hemorragia por Victor Gaspar, o “sonho escondido” – privatizar tudo – prosseguiu incólume. Soluções económicas aventadas no documento dos 74, com Manuela F. Leite à frente, foram silenciadas pois o dogma era Merkel e a sua sinfonia. Hábeis na Retórica, esqueceram a promessa da Reforma do Estado, prometida nas eleições de 2011, útil para os nossos bolsos, e, uma vez mais, socorrendo-se das regras da economia, fundamentaram com os graves prejuízos a necessidade de privatizar.
A Retórica, manipuladora q.b. das premissas económico-financeiras, não foi exclusiva da coligação PPD/CDS. Temo-la à solta desde 1974. Nunca vi, nenhum político dizer que infringira qualquer regra. “O sonho”, dos nossos dias, é implantar uma enorme máquina de produção de pobres, subordinada ao slogan: Mercados unidos jamais serão vencidos. Adeus belos sonhos, fossem eles da Democracia Cristã de Konrad Adenauer, ou da Social-democracia de Helmut Schmidt
Equivalente à frase de Gedeão já todos ouvimos: o homem sonha e a obra nasce. Têm um fundamentado motivo de orgulho, os homens da retórica política e das Ciências Exactas, quando isso acontece. Um bom exemplo, temo-lo no aeroporto de Stª Cruz. Têm mais sorte os Engºs que os economistas. A obra deles é visível, com os outros é usar e deitar fora.
A civilização Greco-Romana, além da retórica, deixou-nos o Teatro. A parafernália que é hoje a comunicação social permite representações ao minuto, junto dos espectadores – cidadãos eleitores – que, ludibriados, tomam como boas, premissas económicas, previamente “trabalhadas”. Os desaires, nas Ciências Sociais, resolvem-se nos bastidores. Nas Ciências Exactas não se podem esconder. Políticos e profissionais, por questões éticas, deveriam envergonhar-se destes fracassos mútuos.
Esquecida a Marina do Lugar de Baixo, o “Estepilha” alerta para as consequências das estéticas obras sobre o aterro originado pelo 20 de Fev. Este 2º acto da peça; “como espatifar dinheiro”, deveria ser representado em tribunal, onde se encontra o 1º acto, para lá remetido, parece, a contragosto.
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