Rui Marote, em Chisenau (Moldávia)
A presente crónica encerra um conjunto de textos e fotos que nos foi remetido por Rui Marote, repórter fotográfico ‘de longo curso’, sobre a sua passagem pela Ucrânia, Arménia e Moldávia. Esta crónica diz respeito apenas à Moldávia onde, em Chisenau, a capital, a objectiva do fotógrafo captou as manifestações que decorrem há meses e que se intensificaram nas últimas semanas, de contestação ao governo, envolvido num escândalo financeiro e de corrupção. Mas acrescentam algumas notas e curiosidades sobre este país da Europa de Leste.

Poucos poderiam adivinhar de onde vem o nome da Moldávia. Na realidade, é supostamente inspirado num canídeo, muto estimado pelo príncipe Dragos, oriundo, supõe-se, do território da Roménia. Este príncipe teria vindo no séc. XIV pelas montanhas dos Cárpatos até ao que hoje é o território da Moldávia, até às proximidades do rio Molda. A origem do nome do rio não é clara, mas, segundo uma lenda, foi nomeado pelo príncipe em homenagem ao seu cão de caça favorito (na realidade, uma cadela), chamado Molda. Após a perseguição a um auroque, uma espécie de boi selvagem que nunca foi domesticado e que se extinguiu na Europa no século XVII, o cão, esgotado, terá sido morto pelo auroque nas proximidades de um rio desconhecido. O seu nome foi dado àquele curso de água e, mais tarde, alargado ao principado.
A Moldávia tem uma história conturbada desde a mais antiga antiguidade. Ali foram encontrados vestígios de ocupação pelo homem já desde o Paleolítico. Na antiguidade clássica ali residiram os dácios, guerreiros aparentados com os trácios. Tem uma associação com os povos da Valáquia (Roménia) desde a Idade Média. Por ali passaram muitos povos com ambições de controle do território, desde os húngaros aos tártaros, de origem mongol, desde os polacos aos turcos otomanos.

Foi no séc. XIV, sob a liderança do príncipe Estêvão, o Grande, que o estado atravessou o seu período áureo. Mais tarde (séc. XVII) o príncipe valáquio Miguel o Bravo governou sobre a Moldávia, a Valáquia e a Transilvânia. Nos finais do séc. XVII, no entanto, a Moldávia estaria sujeita a uma forte influência política e militar russa no seu território, no reinado de Pedro o Grande. Fragmentou-se no século seguinte, sob a influência dos russos, da dinastia dos habsburgos e dos turcos otomanos. Foi sempre um local sujeito a fortes jogos políticos, estratégicos e territoriais.

Historicamente, a Moldávia dividia-se em quatro áreas: a Bessarábia, o Budjak, a Bucovina e Herta. Apenas a parte sul da Bucovina faz hoje parte da Roménia. A Bessarábia é onde se situa hoje o território da República da Moldávia; O Budjak e a região de Herta fazem hoje parte da Ucrânia.

Durante a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a região passou por períodos muito conturbados, que incluíram perseguições e execuções. Durante muitos anos esteve integrada na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), da qual se desvinculou progressivamente com o advento da perestroika. A independência viria em Agosto de 1991. A Roménia foi o primeiro país a reconhecê-la.

A capital, Chisenau, deixa uma impressão de pobreza. E não é para menos: este é um dos países mais pobres da Europa. Mas naquela área há inúmeros parques, lagos e vida selvagem, próximo da urbe. Chisinau tem, na realidade, proporções de espaços naturais muito elevadas, maior que qualquer cidade europeia. Está situada no rio Bic, rodeada de terras férteis e vinhedos. A cidade é famosa pelo seu vinho, aguardente e cerveja premiada. Tem pouco mais de meio milhão de habitantes e é a segunda maior cidade de língua romena do mundo, depois de Bucareste. 73% da sua população é de etnia moldávia/romena, 13% é russa, 8,5% ucraniana e 1,2% búlgara. O restante é composto por diversos outros grupos étnicos.

O que impressiona naquelas paragens é também a quantidade de casamentos que se vêem… estes são bastante tradicionais, embora diferentes dos ocidentais, dado que a maioria da população é cristã ortodoxa. A decoração dos carros é fabulosa, constata o nosso fotógrafo.




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