Jardim desmonta a “vigarice” dos que são contra o cais 8

alberto-joao-jardim-01O ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim num artigo intitulado “O fascismo e o cais novo” pronuncia-se sobre as últimas notícias sobre as dificuldades de atracação de navios de cruzeiro no cais 8:

OPINIÃO: “Vamos lá desmontar a vigarice.
Como governante, tive o objectivo de subverter pacificamente a socialmente injusta Madeira Velha.
Não foi fácil, porque se tratava de uma sociedade feudalizada de séculos, onde a pouca burguesia, por um lado, queria imitar hábitos fascizantes dos grandes senhorios da ilha, e por outro lado, porque também de certo modo dependente dos mesmos senhorios, essa pouca burguesia tinha de continuar a lhes tirar o chapéu.
Subverter pacificamente a sociedade madeirense, implicou alterar o modo de distribuição do rendimento, para reduzir as diferenças.
E fizemo-lo pelos dois caminhos possíveis. A criação de Emprego através um muito maior volume e maior velocidade de circulação da moeda, decorrente dos investimentos infrastruturantes necessários. E a Educação, sobretudo a criação da Universidade, pois a redução das diferenças resulta também da subida no nível dos salários e do novo empreendedorismo, que o Conhecimento e a Qualificação impõem.
Isto permitiu alargar a classe média, rural e urbana, criando nesta um polo basilar da nova soberania democrática e autonómica. Bem como surgir uma nova burguesia cuja cultura, actividade económica e visão da sociedade são diferentes da burguesia conservadora da Madeira Velha.
Toda e qualquer sociedade estratificada reage mal à sua subversão.
Não vale a pena, todos percebem, repetir aqui quem, como e porque razões, fez guerra ao “jardinismo” durante quarenta anos. Ao ponto de gente que se diz de “esquerda”, ter sido aliada dos exploradores, na guerra política contra quem vivia do seu salário mas cometia o “pecado” de subverter a sociedade madeirense.
E, agora, chego ao cais junto à Praça do Povo.
Todos se recordam que os adversários desta política tranquilizantemente subversiva, chegados ao fim do primeiro decénio do século, viram na minha situação nova de incompatibilidade político-pessoal com os dirigentes nacionais do PSD, bem como na fractura estrategicamente montada dentro do PSD/Madeira, finalmente a possibilidade do ajuste de contas.
Isto explica que tenha sido um “cocktail” de burguesia, de saudosistas e de exibicionistas, onde não estava o Povo nem os melhores Quadros da Região, a aproveitar a solução anunciada – e concretizada – para “o aterro”, a fim de, após tantos anos, se manifestarem contra o “jardinismo”.
O problema dessa gente, agora, é que o Povo gostou do que se fez.
O que torna mais difícil branquear as posições dos que havia instrumentalizado hostilmente o “aterro”. O Povo tem Memória …
Então, para esse efeito de branqueamento do passado recente, engana-se a Opinião Pública, fazendo esquecer a missão PRIORITÁRIA de protecção adjacente pelo cais novo; fazendo esquecer as suas naturais condicionantes; omitindo a sua adiada utilização pelos barcos mais pequenos; apagando que paquetes de determinado calado já o utilizaram em condições de mar normais; olvidando o propiciado e respondido aumento da oferta de acostagem; e até indo buscar “terceiros” que já não serviram para acabar o porto do Caniçal, mas que bafiam na idiotice da Pontinha.
Tudo serve para a campanha tonta contra o NOSSO PRÓPRIO PORTO, que pode acarretar consequências económicas gravíssimas!
Para esta montagem cujas razões estão à vista, usa-se os meios de informação domesticados, a propaganda montada por Frau Goebbels e o clima de “união nacional” que disfarçada e fraudulentamente se vive na Madeira, todos esses impotentemente aterrorizados, ainda, com o fantasma do “jardinismo”, por eles mesmo criado!
Vão aldrabar outros! Não o Povo Madeirense.

Funchal, 4 de Novembro de 2015

Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim”