“Quentes e boas”, elas estão de volta à Avenida do Mar

castanhas assadas*Rui Marote (Texto e Fotos)

São quentes e boas e atiçam já um outono mais friorento. Apesar do tempo quente, as castanhas assadas chegaram à Avenida do Mar, fazendo recordar um ritual já bem antigo e pitoresco.

O Funchal Notícias recorda os homens das castanhas dos anos 70. Naquele tempo, como a foto documenta, estavam autorizados apenas a trabalhar no calhau, puxando a brasa ao delicioso fruto saído do ouriço, num fogareiro a lenha e em assadores de barro esbranquiçados.

O fumo pouco ou nada incomodava quem passeava na zona, pois o vento encarregava-se de empurrar as baforadas cinzentas para o mar.

O fruto do castanheiro, depois de preparado, era entregue aos vendedores ambulantes que transportavam o acepipe em tabuleiros de madeira pelas ruas da baixa, fazendo-se acompanhar do famoso pregão – “Quentes e boas”.

Mãos pretas de fuligem, aroma adocicado, trincadela aveludada são memórias que os sentidos associam à venda das castanhas assadas nesta altura do ano.

castanhas assadas

Os tempos mudaram e eis que surgem as bancas modernas, com reclamos. Têm rodas e outros confortos, mas já não percorrem as ruas da cidade. Ficam à espera que o cliente se aproxime. Menos agradável é também o cheiro a carvão que se mistura no fumo fino.

Ditam as regras de concorrência que agora é preciso respeitar regulamentos e pagar licenças. Os vendedores ambulantes submetem-se então a concurso na Câmara. Junto ao cais da cidade, dois postos tentam o freguês. Outro, na zona da Casa da Luz, ensaia a gulodice. Este ano, há um quarto posto de venda, na antiga furna, perto do Parque de Santa Catarina.

O negócio das castanhas assadas não é fácil nem dá milhões, mas sempre ajuda a garantir um pé de meia nos longos meses de Inverno.