Na teia de um inimigo poderoso como a droga

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Autoria: José Paixão

Fico com a impressão de que, quanto mais se fala na droga, mais ela assume dimensões crescentes. Não sei explicar as razões. Tão pouco sei se é devido ao princípio de que “o fruto proibido é sempre apetecido…” Só sei que não há soluções para esta verdadeira armadilha que prende, de forma silenciosa, os consumidores à destruição.

É como um negócio, ainda que maldito mas altamente concorrencial: se dá lucro, há sempre apostadores na penumbra e, por vezes, quem menos se esperava. É uma teia gigantesca, de dimensão mundial, com predadores e presas, que fatura milhões e, por isso, esmaga a boa vontade de técnicos, famílias e educadores.

Não gosto do derrotismo nem sequer do fatalismo. Percebo pouco ou nada do assunto. Mas sou capaz de imaginar a dimensão da dor das vítimas deste maldito negócio e dependência, bem como o sofrimento infinito e altamente doloroso e solitário das famílias que sofrem horrores nas mãos de familiares violentos, psicóticos e até maníacos.

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Apenas posso lamentar que esta apetência cresça como lume em mato seco após anos e anos de combate e prevenção. Jovens e adultos cada vez mais adeptos desta armadilha e consumidores cegos da literatura barata e do comércio via Internet. Não temos nem armas nem força anímica para derrotar este cada vez mais poderoso inimigo comum.

Se a família constrói, a sociedade destrói. Cada vez o individualismo e a solidão empurram o ser humano para uma espécie de tribo onde o léxico do dia a dia é a ganza, a cheta, os chibos, a bófia, o pólen, o sabonete, o material e outros mimos que o dicionário não suporta. Silenciosamente, criam-se dependências que ninguém controla e, depois, depois… nada a fazer quando a vítima não consegue dizer “não” ao vício, à química do corpo a pedir o veneno.


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