Armadores do Caniçal “mal amanhados” com Albuquerque

O "Mal amanhado", o terceiro a conta da esquerda, ontem à tarde, no Caniçal, no grupo dos barcos registados em Ponta Delgada.
O “Mal Amanhado”, o terceiro a contar da esquerda, ontem à tarde, no Caniçal, no grupo dos barcos registados em Ponta Delgada.

O Presidente do Governo vai, ao princípio desta tarde, fazer-se ao mar na tradicional procissão de barcos no Caniçal, em honra de Nossa Senhora da Piedade, a bordo do atuneiro “Mal Amanhado”. Humberto Vasconcelos, o secretário que tutela o setor, segue no “Maria Leontina”, na companhia do diretor regional das Pescas, Luís Ferreira, e do chefe de Gabinete de Sérgio Marques, Alfredo Fernandes.

Ora, o caso está a gerar burburinho e descontentamento entre alguns armadores madeirenses, assumindo contornos de incidente diplomático. Isto pelo facto de aquelas embarcações estarem registadas nos Açores.

Não entendem a desfeita principalmente da parte de Miguel Albuquerque quando, no ano passado, em situação de candidato à liderança do PSD-M, procurou apoio entre os barcos madeirenses, navegando no atuneiro “Autonomia” com registo na Região, fazendo então a promessa de estar presente na procissão sempre em atuneiros da Madeira.

O Estepilha sabe que promessas em tempo de campanha são como palavras escritas no vento, mas a verdade é que não está esquecida entre o pessoal da pesca do Caniçal e a circunstância de os dois governantes máximos terem optado por barcos açorianos, que deixam os impostos nos cofres do arquipélago vizinho, está a causar embaraços que só não serão valorizados atendendo ao ambiente de festa e de devoção a Nossa Senhora.

As gentes dos atuneiros, a maioria do Caniçal, preferem atribuir a falta de consideração à inexperiência do atual elenco governativo, habituado aos gabinetes, que deverá desconhecer a concorrência que existe entre as frotas madeirense e açoriana, esta muito maior e melhor apetrechada. Sugerem que o executivo aprenda com o homólogo do arquipélago vizinho. Nos Açores, dizem, o governo luta com unhas e dentes pelos seus e tal situação seria impensável.

Para não dar azo a amuos do passado, em que os elementos do governo viajavam juntos num mesmo barco, este ano houve distribuição. Mas nem mesmo escapam às críticas.

Para além de Albuquerque e Vasconcelos, participam na procissão Rui Abreu, chefe de gabinete do presidente, a bordo do “Autonomia”, e o recém-secretário regional da Saúde, Faria Nunes, no “Ponta Calhau”, a nova aquisição da frota de atuneiros madeirenses que será inaugurada na próxima quinta-feira por Albuquerque. Pelos menos estes dois salvaguardam a honra do convento.

Sabe-se que este governo é apologista do abraço à diversidade, mas numa frota de 15 embarcações com registo madeirense, estepilha, havia lugar para todos os membros do Governo e ninguém ficaria “mal amanhado”.