Como se foge para uma casa de banho

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Muitas pessoas interrogam-se da razão do aparecimento súbito de tantos partidos na região. Este fenómeno tem uma explicação muito simples – as pessoas perderam o medo!

E perderam o medo, porquê? Porque no panorama regional já não existe um “dragão” totalitário de nome Alberto João Jardim. Há uns anos atrás, poucos eram os cidadãos que se atreviam a constituir uma lista ou aceitar um convite de um partido fora do arco da governação ou do sistema. E digo fora do arco da governação/sistema, porque ao aderir ao Partido Socialista, Bloco, CDS, CDU ou a outro partido tradicional, embora houvesse algum risco, sempre se beneficiava de alguma protecção institucional e até havia hipótese de se poder banquetear com algumas “migalhas” do regime. Quanto ao resto, ninguém se atrevia a embarcar em aventuras politicas nem a se manifestar contra a ditadura jardinista.

Foi graças a esta cumplicidade colectiva, a este “agachamento” consentido, a este acobardamento de gente com alma de escravo, que o regime jardinista imperou e fez prevalecer a sua vontade, com consequências terríveis para a sociedade madeirense, que hoje sofre uma das suas maiores crises económicas (que só não é mais trágica, porque os conflitos na bacia mediterrânica desviaram o turismo para a ilha), e que viu os seus recursos naturais e económicos  serem desbaratados e destruídos de uma forma completamente alarve e irracional, sem que os actuais corajosos “cowboys da politica” abrissem o bico.

Actualmente, vemos este bando de novos políticos, cheios de “pelo na venta”, todos presunçosos a debitar ideias e a falar de cátedra, quando num passado recente andavam cobardemente escondidos nos seus refúgios pequeno-burgueses, “cagados de medo” nas suas chafaricas e chafurdando nos seus “tachinhos” miseráveis (muitos deles até foram cúmplices do estado a que isto chegou), aguardando oportunisticamente que a borrasca passasse. Depois, fez-se “sol no nabal” e toca agora a vê-los todos senhores de si, a debitar ideias e a se pavonearem nos meios de comunicação social, com discursos postiços e pseudo-corajosos, na tentativa de seduzirem a “viloada”.

Muitas pessoas pensam que o jardinismo venceu graças a um só homem e a um só partido, como aliás também pensam que o nazismo e o salazarismo venceram no seu tempo, porque houve um bando de passarões que calaram e manietaram uma maioria silenciosa. Ora, isto não é verdade! Este tipo de regimes perduram até ao abismo, porque beneficiaram da cumplicidade e apoio da maioria de população, como também contaram com a conivência dos seus cidadãos mais esclarecidos. É por isso que sempre que vejo na televisão ou oiço na rádio estes novos e “corajosos” políticos feitos de um “toco de bananeira”, fujo logo para a casa de banho.