Docentes e funcionários do Lisbonense esbarram de novo numa porta fechada

wpid-lisbonense-002.jpg.jpeg

Fotos: Rui Marote 

Os professores e funcionários do Externato Lisbonense voltaram a apresentar-se hoje ao serviço, às 9 horas da manhã. Bem bateram à porta do vetusto edifício que durante tantos anos albergou um conceituado colégio particular – mas aparentemente não estava ninguém para os atender. Conforme o Funchal Notícias já reportou, são docentes e funcionários que se encontram num verdadeiro limbo, do qual não conseguem sair, não vislumbrando uma luz ao fundo do túnel. Têm salários em atraso e estão impossibilitados de recorrer ao subsídio de desemprego porque, oficialmente, nem sequer estão desempregados – não há qualquer comunicado ou documento da gestão da instituição que oficialmente os dispense do serviço. Entretanto, a tutela arrasta os pés com burocracias e, apesar do dinheiro que injectou no Externato ao longo de todos estes anos, tarda a ajudar a resolver o problema.

No total, neste momento, há sete professores a viver esta situação dramática em que não sabem que rumo dar às suas vidas. Os outros docentes, que encontravam em situação de contratados, puderam ir às suas vidas. Aos sete docentes referidos vem somar-se uma dezena de funcionários que se encontra na mesma lamentável incerteza.

Conforme referiu Fátima Andrade, professora de Inglês que trabalha há sete anos na instituição, agora só resta aguardar, para ver as colocações que vão saindo agora para o ensino público, através de concurso, com a contratação inicial e depois as reservas de recrutamento.

“A única coisa que podemos fazer é aguardar. A situação não está resolvida, ninguém dá a cara, ninguém se chega à frente, e nós não conseguimos resolver a situação assim, por muito boa vontade que tenhamos todos”. A falta de horizontes e de uma resposta positiva é massacrante.

wpid-lisbonense-006.jpg.jpeg

Para complicar ainda mais este imbróglio, pelo meio do qual o gestor do Lisbonense, Pedro Sousa, acabou internado numa instituição de saúde mental, os professores são alvo de um processo disciplinar por parte do colégio: “Recebemos uma nota de culpa, à qual o nosso representante legal respondeu. Eles [direcção do Lisbonense] têm agora seis meses para nos responder, dizendo se vão arquivar, ou avançar com o processo”.

Relativamente à atitude da tutela, a nossa interlocutora é franca: “Toda a gente sempre soube o que se passava aqui no Lisbonense, de há quatro anos para cá. Tudo o que acontecia cá dentro”, afirma, referindo-se a alegadas ingerências da gestão da escola na definição da parte pedagógica.

“Nunca ninguém fez nada. E, este ano, tudo o que aconteceu levou-nos a dar um ‘basta’, para sentar e resolver as coisas, tentar estabilizar a situação. Queríamos que houvesse um gestor que tratasse de tudo o resto com os proprietários do colégio, mas que não ingerisse na parte pedagógica”.

Fátima Andrade fala de constantes interferências, com frequentes mudanças de directores pedagógicos, constantes alterações na própria equipa de professores… Tudo isso vai fazendo com que os pais acabem por perder a confiança no estabelecimento”, que foi o que acabou por acontecer. Neste momento o Externato Lisbonense não tem alunos.

“Viemos sempre a perder mais discentes de ano para ano, desde 2011”, frisa Fátima Andrade.

A professora diz que o corpo docente criticou o que se estava a passar, tendo sido criticada por imensa gente, por ter avançado com os pré-avisos de greve. “Houve comissões de pais que tentaram que o proprietário se sentasse com eles, para discutir a situação, nós tentámos que se sentassem connosco… Mas não foi falta de tentar resolver isto, e de alertar para o facto de que isto poderia acontecer”.

Os professores pretendiam ser atendidos nesta sua deslocação hoje de manhã ao Externato. Não se tratava apenas de marcar uma posição. Alegam que lhes foi dito que “neste dia estariam cá os proprietários, para tentarem resolver a situação com os docentes. Mas não está ninguém, e já era de esperar”, lamentam.

Quem passou a informação, refere, foi a última directora pedagógica, Bárbara Ramos.

Os contactos com a Secretaria Regional da Educação e com a Inspecção de Trabalho têm tido como única resposta “aguardar”.

A Inspecção de Trabalho já instaurou processos por causa dos ordenados em falta. A entidade está a ser notificada. Mas os professores e funcionários não sabem mais nada.