Cruzeiros deixam na Madeira 50 milhões de euros por ano

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O mercado de cruzeiros é um filão de ouro para a economia da Madeira. Segundo dados facultados ao FN pela presidente da Administração dos Portos, o impacto anual na economia madeirense deste tráfego de passageiros situa-se entre os 50 a 55 milhões de euros. Um montante que tem vindo a crescer e que reforça a atenção da Autoridade Portuária numa cada vez maior captação deste nicho de mercado para a Ilha.

Os amantes do mar e das embarcações sabem bem que setembro dá início ao movimento de navios no Porto do Funchal. Quando a cidade ainda dorme, fazem uma entrada silenciosa mas firme na baía do Funchal, pelas 07h00, e com uma elegância e destreza invulgares, como quem manobra um brinquedo, eis que estes hotéis flutuantes encostam no cais para uma visita de quase um dia à cidade. Entre as 17 e as 19 horas dizem “até já” ao Funchal e navegam oceanos fora, regressando mais tarde com centenas e centenas de passageiros que anima a economia regional. Um ritual que se repete até maio, terminando então a época alta de cruzeiros na cidade.

No primeiro semestre deste ano, os números voltaram a sorrir à Madeira. Alexandra Mendonça, presidente do conselho de administração da APRAM, revela um crescimento no movimento portuário de 18% comparativamente ao ano anterior. Mas o ano ainda não terminou. A época que agora começa em força e que se prolonga até maio do próximo ano, aponta para cerca de 300 escalas na Madeira. Um bom cenário que motiva os agentes económicos do setor.

Funchal Notícias – O mercado de cruzeiros é uma grande aposta da Região. Qual a vossa política neste domínio? Prioridades?

Alexandra Mendonça – O trabalho de promoção e comercialização dos Portos da Madeira tem vindo a ser reforçado, tanto individualmente como em conjunto com os portos portugueses e de Canárias, no sentido de mantermos a nossa competitividade no mercado e o posicionamento estratégico que conseguimos alcançar. Posicionamento que tem sido, aliás, reconhecido internacionalmente, por diversas ocasiões e entidades.

O reforço da promoção da Madeira, enquanto destino de cruzeiros, através da Associação de Promoção, será mais um contributo para o incremento do número de turistas que se espera, concretamente nas chamadas épocas baixas. Trazer mais turistas ao Porto do Funchal e, também, ao do Porto Santo, são as grandes prioridades.

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In Facebook Alexandra Mendonça.

FN – Quantas escalas estão previstas nesta época alta de setembro até abril?

AG – Na próxima época alta, que vai de setembro de 2015 a maio de 2016, esperamos receber 295 escalas.

FN – Quais foram os números do ano anterior e em que valores se traduziu isso em termos de turismo? Quanto ganhou, aproximadamente, a Madeira com essas escalas valores?

AM – Em 2014 registámos 280 escalas e um movimento de 487 514 passageiros.

No primeiro semestre deste ano, o Porto do Funchal cresceu 18% no número de passageiros e 5,5% nas escalas, comparativamente a igual período de 2014. Falamos de 154 escalas e de 285.396 passageiros.

Relativamente ao impacto do turismo de cruzeiros na economia regional, estima-se que o mesmo se situe entre os 50 e os 55 milhões de euros, ao ano. Importa sublinhar que, termos em apenas um dia, quatro a cinco mil potenciais consumidores é, naturalmente, significativo, num mercado como o nosso.

FN – Outro assunto: consta que o navio Aida vai atracar no novo cais. Confirma? Quando?

AM – Uma vez que o cais norte se encontra em obras, os navios que estavam programados para aquele cais irão atracar no cais 8. Existe um planeamento que vai sendo ajustado em função das condições do tempo, do mar e do número de navios que temos em porto, em cada caso concreto.