Obra junto ao histórico Colégio dos Jesuítas sem acompanhamento de arqueólogo

ARQUEOLOGIA 002
Fotos Rui Marote

Na Rua do Castanheiro, estão a decorrer obras de construção e de remodelação de uma unidade hoteleira que dá acesso à Rua das Pretas. Estes trabalhos estendem-se também à antiga sede da UDP/M, hoje BE.

Acontece que a construção está a ser feita no perímetro de um imóvel histórico do século XVII como é o antigo Colégio dos Jesuítas, atuais instalações da Universidade da Madeira.

Segundo os pareceres emitidos pela ainda Direção Regional dos Assuntos Culturais, a obra deveria ser acompanhada por um arqueólogo e o FN apurou no local que esta exigência não estará a ser cumprida, nem nos foi confirmado no local a orientação dos trabalhos por um técnico ligado ao património.

A empreitada está a ser executada a menos de 50 metros do antigo Colégio dos Jesuítas, um emblemático imóvel do século seiscentista, que já acolheu o antigo Batalhão. Como tal, qualquer escavação que aconteça neste perímetro obriga a que a firma construtora se faça acompanhar de um técnico de arqueologia, o que não se verifica no terreno.

Neste momento, procede-se às escavações para a colocação de tubagens para os esgotos. A obra continua a ser feita sem acompanhamento técnico do ponto de vista histórico.

Foi também possível apurar no local que as escavações não são profundas, não excedendo um metro de altura.

Este jornal on line contactou o gabinete de imprensa da secretaria regional da Economia, Turismo e Cultura, para saber do parecer dado pela antiga DRAC e ponto da situação atual da tutela sobre a obra em curso, mas foi-nos transmitido que o responsável pelo assunto se encontra de férias.

Fontes que contactaram o FN explicam que o progresso na cidade do Funchal é naturalmente de aplaudir, até porque a área da obra em questão foi fustigada pelo temporal de 20 de fevereiro de 2010. Funcionou durante alguns anos uma pequena unidade hoteleira, ladeada por um centro comercial. Também o estado de degradação do antigo imóvel ocupado pela UDP/BE não abonava para a boa imagem da urbe. Era necessário dar um novo rumo a este espaço.

Mas o que os defensores do património apelam é que trabalhos com este melindre – dada a proximidade de edifícios históricos – procurem ser executadas com mais cuidado do ponto de acompanhamento arqueológico para não mexer com a paisagem histórica envolvente.