António Henriques: Open de golfe e Rali não podem voltar a coincidir

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António Henriques, terceiro a contar da esquerda, numa foto de arquivo com Paulo Fontes e outros golfistas (FOTO RUI MAROTE)

No rescaldo do Open de Golfe, o presidente do Clube de Golfe do Santo da Serra, António Henriques, reflecte sobre o modo como correu o evento e sobre o estado presente da modalidade e admite que o Open não pode voltar a realizar-se na mesma altura que o Rali Vinho da Madeira, apesar de entender que não foi significativamente prejudicado pelo mesmo.

A vitória no Madeira Islands Open Portugal BPI foi obtida pelo finlandês Roope Kakko a 2 de Agosto, o que lhe permitiu arrecadas um prémio monetário de 100 mil euros.

Fê-lo com 264 pancadas, 24 abaixo do par do campo, Scott Henry, da Escócia, ficou em segundo, com 267 pancadas, e outro escocês, Andrew McArthur, situou-se em terceiro lugar no pódio, com 270 pancadas.

Por outro lado, quatro portugueses conseguiram finalizar a prova situando-se nos primeiras 25 posições, sendo o principal Tiago Cruz, com 275 pancadas. Os outros, recorde-se, foram Filipe Lima, Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo.

Num comentário à sobreposição de eventos desportivos que se verificou por esta altura, António Henriques entende que nenhum deles prejudicou efectivamente o outro: “Nem o rali foi prejudicado nem o Open. Antes pelo contrário, foi um fim-de-semana de dois grandes eventos que se realizaram na Madeira, e de grande importância, quer um quer o outro, para a promoção da nossa terra”.

A sobreposição, esclarece, “resultou de uma recalendarização” do evento que foi adiado em meados de Março por causa do mau tempo, pois “esta era a única semana disponível”.

O Open da Madeira é o segundo torneio de golfe mais importante do país e do calendário do Challenge Tour: está envolvido um montante de 600 mil euros em prémios.

A escolha da data, recorde-se, foi bastante criticada por coincidir com o Rali.

“No futuro, levaremos em consideração, de facto, que Junho ou Julho são os dois melhores meses para a realização desta prova. Mas a mesma nunca poderá ser coincidente com o Rali, naturalmente. Para o ano, é isso que irá acontecer. De resto, foi um Open de grande sucesso, com quatro dias de tempo fantástico, com uma lista de inscritos muito boa, e dando como vencedor o finlandês que é do Challenge, mas que fez para ele um grande mérito e que será fundamental para o futuro da carreira do mesmo. Portanto, o evento saldou-se por um sucesso total”, disse António Henriques.

Questionado sobre se o Open de Golfe, um grande evento para a Região, compensa de facto turisticamente a mesma, o presidente do Clube admite que “é evidente que a Madeira não é um destino de golfe, mas uma vez que possui três campos de golfe, os mesmos representam uma infraestrutura fundamental para todos aqueles que no visitam, entre eles naturalmente os que são golfistas. Portanto, é de extrema importância a promoção do golfe, que continuará a ser feita”.

“É possível que haja alguns arranjos, alguns acertos, mas tudo indica que tudo vai desenrolar-se da mesma forma, a realização do Open, a realização do Rali, promovendo ambos a Madeira, o que é fundamental”, acrescentou.

Quanto a uma maior afirmação do golfe, enquanto modalidade desportiva, junto da população madeirense, o nosso interlocutor volta a sublinhar que, a par da mais-valia turística que o golfe representa, a componente desportiva “é extraordinariamente interessante”.

“Hoje temos um driving range no Estádio dos Barreiros, mais conhecido como Estádio do Marítimo, onde é possível a prática da modalidade. O objectivo é levar o maior número de crianças a praticarem, uma vez que é uma modalidade extraordinariamente interessante, desafiante e que cria entusiasmo em todos aqueles que a experimentam e praticam. O objectivo é difundir sempre o golfe, na componente desportiva, que tem grande interesse”, realça.

Começar cedo a praticar o golfe, conclui António Henriques, é uma grande vantagem. “É essencial que a juventude pratique a modalidade. Hoje em dia, Portugal já se vai impondo, já temos uma boa dúzia de jogadores a disputarem torneios pela Europa fora, alguns já de grande destaque. Isso também é fruto de trabalho que tem sido desenvolvido pela Federação Portuguesa de Golfe, e que espero que continue a ser feito, de forma a termos cada vez maior número de praticantes, e jogadores a ascenderem ao campeonato principal da Europa, ou seja, participarem nos Opens que se realizam na Europa”.