Livro de Rui Carita é “leitura transversal” da história da Sé do Funchal

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O livro ‘A Sé do Funchal 1514-2014’, do historiador madeirense Rui Carita, foi hoje lançado naquele templo católico, na presença de (como antigamente se costumava dizer) ‘as mais representativas entidades civis, militares e religiosas’. Não faltaram nem sequer o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, que lá foi tecer um elogio à vida e obra de Rui Carita, acompanhado do seu secretário regional da Cultura, Eduardo Jesus, e o representante da República, Ireneu Barreto. Claro que os dois bispos, o actual, D. António Carrilho, e o emérito, D. Teodoro Faria, estavam presentes.

O livro é ilustrado com imensas fotografias e, mais do que abordar apenas a história do templo, acaba por traçar a história do bispado do Funchal, “constituindo-se como livro-síntese da Sé/Diocese com 500 anos, que, nas palavras do autor, foi sede do bispado dos Descobrimentos, a maior Diocese alguma vez instituída e correspondente a metade do mundo então conhecido e por conhecer”.

A obra, uma edição da Direcção Regional dos Assuntos Culturais, foi apresentada pela historiadora Ana Cristina Machado Trindade, aparentemente uma das maiores conhecedoras da Igreja madeirense.

Esta enfatizou que já foram realizadas múltiplas publicações sobre a Sé do Funchal, mas faltava uma obra que sintetizasse outros aspectos que não apenas o edifício e o seu recheio. Era necessária uma obra que abordasse a Sé do Funchal como o centro de poder que foi, e no qual se cruzaram as influências de muitas pessoas e instituições.

“A Sé é muito mais do que a análise dos seus elementos constitutivos, como o cadeiral ou o retábulo”, defendeu.

É essa obra, em seu entender, que Rui Carita entretanto concretizou, “fornecendo a tal contextualização sócio-económica, política, etc. da Sé do Funchal, analisando também as várias personalidades que marcaram a Diocese do Funchal”. Este poder sintético, considerou, não está ao alcance de qualquer pessoa. Carita, na sua opinião, conseguiu-o neste livro, merecendo o seu aplauso pela “ousadia e empenho” que pôs na realização do mesmo.

O autor, por seu turno, elogiou os trabalhos pioneiros do padre Juvenal Pitta Ferreira e Luíz Peter Clode, entre outros, sem os quais este trabalho não teria sido possível.

Carita explicou que este “não é de modo nenhum um trabalho fechado”, mas uma espécie de “ponto da situação, feito pelos nossos olhos, oferecendo outras leituras, e que provavelmente daqui a alguns anos terá de ser de novo reformulado”.

A leitura que tentou fazer não se circunscreve à história religiosa, à história da arte ou do poder: “é uma tentativa de leitura transversal”, assumiu, e que espera que “tenha algum interesse”.

Por seu turno, o presidente do Governo Regional não poupou elogios a Carita, desde o seu “acutilante sentido de humor”, ao talento e à grande capacidade de trabalho e disciplina.

Enalteceu a obra vasta do autor, particularmente a História da Madeira em sete volumes, um trabalho que classificou como “monumental”.

Sobre o presente trabalho, referiu que a investigação sobre a Sé do Funchal, sendo por natureza uma obra sempre incompleta, não deixa de ser muito importante, especialmente na altura em que se celebram os 500 anos da Diocese.