Albuquerque descontraído admite dívidas das suas sociedades empresariais

Miguel Albuquerque

Foi das acusações mais impactantes desta manhã, na discussão do orçamento rectificativo. O mesmo já se encontra sob fogo cerrado dos partidos da oposição desde que a sessão começou, nos mais variados aspectos: subordinação humilhante às pretensões do Governo da República; falta de habilidade política na utilização a dar às verbas do Fundo de Coesão, no valor de mais de quatro dezenas de milhões de euros; incapacidade em aliviar a austeridade que pesa sobre os madeirenses; mau estabelecimento de prioridades, por exemplo na área da saúde, enquanto continuam a ser dados avultados subsídios ao futebol profissional e se protegem monopólios na RAM: mas ninguém foi tão  certeiro na sua intervenção como o deputado José Manuel Coelho, do PTP, ao afirmar que, embora pressuroso em aplicar medidas de cobrança coerciva aos utentes com rendas atrasadas do Instituto de Habitação da Madeira, o é menos em relação a outras entidades. E o exemplo que deu foi o do próprio presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, que através da sua unidade de turismo rural, Quinta do Arco, deve dinheiro a várias entidades, entre elas a Empresa de Electricidade e o fisco (ver peça anterior sobre sessão plenária).

Miguel Albuquerque, no entanto, não podia estar mais tranquilo, e abandonou o hemiciclo durante uma intervenção em que Carlos Pereira abordava a temática da utilização das verbas do Fundo de Coesão para confirmar, com a maior calma do mundo, que de facto deve valores que bem podem ser aqueles apontados por José Manuel Coelho.

“As situações são públicas. As sociedades de que sou sócio fizeram uma reestruturação há uns anos e têm um plano de pagamentos, quer à Segurança Social, quer à Empresa de Electricidade, que estão a ser integralmente cumpridos. Há um acordo de pagamentos, no âmbito de uma reestruturação devido à crise que atravessámos (…) Não há nada a esconder”, afirmou.

Já antes, José Manuel Coelho acusara o secretário da Saúde, Manuel de Brito, de querer beneficiar Jaime Ramos, proprietário do prédio na Rua João de Deus em que Brito tem um consultório particular, ao pretender instalar nesse prédio a Secretaria Regional da Saúde. Mas a sua acusação das dívidas de Albuquerque eclipsou as críticas anteriores e terá incomodado o presidente o suficiente para este esclarecer a situação com uma declaração. No entanto, durante a mesma, Albuquerque não se podia mostrar mais descontraído.

 


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