Falta ou excesso de acordo

DSC01301Excesso ou falta dele. Não falamos de chá, mas do novo acordo ortográfico. Com tanta regra a ditar desacordos e confusões, há quem já tenha perdido a medida às palavras, resolvendo aligeirar a dose. Ao ponto de corrermos o risco de lhes perdermos o sabor e o aroma.

Não bastava os ingleses terem ficado com o mérito da reconfortante pausa das cinco, esquecendo que a moda lá chegou em 1662 pelas mãos da nossa portuguesinha D. Catarina de Bragança, eis que por cá se manda a nossa língua, a que Fernando Pessoa exaltou como sendo a verdadeira Pátria, tomar um “chazinho” desconcertante em esplanadas e espaços públicos.

Para alguns será inofensivo dar uma colher de chá a este tipo de deslize. Afinal, a língua é um corpus vivo, sempre em atualização, na mesma proporção que os seus falantes. Para outros, custará engolir tais atentados, acusando os infratores de não terem uma pinga do dito cujo (agora, sim, falamos de chá) quando se trata de defender o elemento mais forte que nos une, independentemente do lugar onde nos encontremos.

Achamos que o caso em si não escalda nem constitui motivo para maus fígados ou inimizades intestinais. Até porque nada como uma boa chávena para acalmar nervos e controlar desarranjos.

Convém lembrar, porém, que apesar das alterações estabelecidas pelo AO90, a maioria das palavras agudas e esdrúxulas (acento tónico nas última e antepenúltima sílabas) continuam a acentuar-se de forma aguda. E assim se mantém a dignidade quer se venda chá ou cágados.Estepilha!


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