Albuquerque dá “prendas” para o Porto Santo e anuncia operação de financiamento no mercado

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Um Parlamento com menos insultos e aparente consenso. Fotos Rosário Martins

Após dois dias da oposição a criticar o governo sobre a falta de medidas concretas para políticas ideais no papel, o presidente do Governo Regional encerrou os trabalhos de debate do programa de governo levando no bolso algumas prendas, desta feita menos teóricas e mais concretas. Ainda assim, os deputados da oposição querem ver para crer. Mas Albuquerque já deu alguns passos concretos e avisa que a Madeira vai ao mercado financiar-se.

Mostrando que leva o Porto Santo e os seus problemas no coração, o presidente revelou que passará a constar do orçamento para 2016 um complemento remuneratório para a função pública da Ilha Dourada, transitando de 15 para 30. Mas não só. O governo vai trabalhar no sentido de garantir um subsídio ao passageiro, no sentido de faciliatr os acessos doa cidadão à Ilha fora do período de pico, que é de pouco mais de um mês, no verão.

Albuquerque promete rigor na despesa financeira. Mais uma vez adianta que a Madeira poderá já financiar-se nos mercados a partir de uma operação financeira cujos contornos serão definidos em breve. Uma forma de “retomar a autonomia financeira”. Já toda a gente fala num orçamento retificativo e receia uma operação financeira à maneira das sociedades de desenvolvimento que hipotecaram o futuro das gerações. Mas Albuquerque não adiantou mais nada.

2015-05-22 10.27.34 Também a partir de 2016, a intenção do executivo é apostar no desagravamento fiscal no âmbito do IRS para as famílias com menores rendimentos.

O Centro Internacional de Negócios é um dossier de extrema importância para a Madeira. Esta estrutura trabalhará em articulação com a Agência de Investimento rumo à viragem da região para o exterior.

Quanto à insistente dúvida de se saber como vai a Madeira encontrar verbas para a construção do novo hospital, o presidente do GR adiantou que a ideia é, “juntamente com os partidos desta casa, estabelecer consensos para, em diálogo com o governo da República e demais entidades, encontrar essa solução de financiamento”. Para já, nada de concreto.

As acessibilidades por via aérea e marítima é outro tema que preocupa o governo. No âmbito do transporte aéreo, Albuquerque anuncia que a ideia é adotar o modelo semelhante ao dos Açores que estabeleça um teto tarifário para os residentes, estudantes e doentes.

Quanto ao transporte marítimo, sempre um assunto polémico na Assembleia, com o governo criticado por ter uma tradição de cedência ao lobby monopolista do Grupo Sousa, Albuquerque tentou desmistificar dizendo que nada tem a ver com lobbies, que vai baixar o custo dos transporte de mercadorias para a Madeira e que as negociações para trazer o ferry para a Madeira para retomar as ligações com o continente é uma realidade. Da parte da oposição, o ceticismo perdura, com a boca atirada a Albuquerque: “Música!…”

O presidente disse ainda no Parlamento que quer um governo que valorize a cultura. Estão à porta os 600 anos do descobrimento da Madeira. E vem aí mais uma comissão de trabalho sobre a celebração da efeméride para apresentar depois resultados. A candidatura das levadas a património mundial é outra grande aposta.