Cine Moniz estreia “Águas” no Casino

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Um dos momentos das gravações, quando o presidente da Câmara tenta acalmar o povo em fúria.

O Clube Cine Moniz estreou ontem, no Casino da Madeira, a produção cinematográfica “Águas”, que constitui uma homenagem na tela à luta do povo da Lombada pela posse da água e da sua levada, bem como à jovem “Sãozinha”,  que faleceu em 1962, na sequência deste conflito.

O realizador, Luís Miguel Jardim, o principal dinamizador do projeto, com a colaboração de Fátima Marques, fez uma primeira apresentação, no passado sábado, no Teatro Municipal, mas a sessão de ontem teve outro impacto, dadas as condições da sala e efeitos de som. Na verdade, centenas de pessoas acorreram ao Casino para assistirem a uma representação de professores, alunos e figuras desta terra, a reviverem uma Ponta do Sol dos anos 60 e a disputa pela posse da levada da Lombada, que tanta tinta fez correr.

Alberto João Jardim, ex-presidente do governo regional, era um dos espetadores na plateia, ladeado por Irineu Barreto, representante da República. Na mesma fila, Jorge Moreira, presidente do conselho executivo da Escola Secundária Jaime Moniz e o novo secretário regional da Educação, Jorge Carvalho. Ambos teceram palavras de estímulo ao autor do projeto, bem como aos professores e alunos que o representaram, partilhando uma visão de uma escolha essencialmente humanista, cultural e apostada no fazer.

Na interpretação, professores e alunos mostraram brios, apesar de não terem experiência na tela. É de salientar as interpretações ímpares dos populares da Lombada, incarnadas pelas professoras Paula Trindade e Rosário Gouveia, que bem souberam representar os falares e costumes de um povo humilde mas reivindicativo.Durante dias e noites, o povo guardou as suas águas, dormindo ao relento, enfrentando a retaliação da autoridade. Uma jovem aluna do Liceu interpretou a “Sãozinha”, heroína da história e vítima da repressão policial que se fez sentir sobre o povo da Lombada, colhida mortalmente por um disparo furtivo de uma arma.

A sessão terminou com uma dedicatória a todas as mães que perderam os seus filhos – numa homenagem simbólica à mãe de “Sãozinha” – pela voz do cantor Pedro Abrunhosa.

Esta é a oitava produção do Cine Moniz e tudo indica que outras sessões continuarão a ser produzidas com o envolvimento da comunidade escolar.


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