Secretário da economia convida Reis para os portos e desconvida por telefone

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Foto Rui Marote

É uma bronca no governo, que está a ser gerida “com pinças”, mas que também está a gerar grande descontentamento dentro do próprio PSD/M. O Funchal Notícias apurou que o secretário regional da Economia, Transportes e Cultura convidou, pessoalmente, o eng.º João Reis para presidente do conselho de administração da Administração dos Portos da Madeira (APRAM), substituindo assim Alexandra Mendonça. Tempos depois, decidiu desconvidá-lo, por telefone, e manter a atual diretora, Alexandra Mendonça.

Instado hoje a prestar declarações sobre o assunto, Eduardo Jesus transmitiu, através do seu gabinete de imprensa: “Desconheço totalmente o assunto”. Na sequência desta posição, altos dirigentes do próprio PSD/M contactaram hoje o FN e expressaram a este jornal on line total “indignação” face “à atitude inqualificável” do secretário. Aliás, dizem mesmo ter boa impressão da competência técnica de Eduardo Jesus mas a forma como tratou deste caso tem deixado muita gente estupefacta. Segundo as nossas fontes, tudo se passou desta forma: “O eng. º João Reis foi convidado a reassumir o cargo de presidente da APRAM há já algum tempo. Não queria aceitar, mas o próprio Dr Eduardo Jesus insistiu. Depois, o amiguismo falou mais alto. As amizades pessoais da atual diretora com alguns membros do governo e do partido falaram mais alto. Eduardo de Jesus desconvida, por telefone, um profissional com provas dadas, com a desculpa esfarrapada de que não podia mudar a diretora para não pagar um total de 40 mil euros de indemnização, espaçado por dois anos. Então como fazem com os outros diretores que mudaram e tencionam mudar?”

Contactado pelo Funchal Notícias, João Reis está irredutível e não presta declarações, porque considera que, quem o deve fazer, é o secretário regional. E despede-se com bons augúrios: “Desejo boa sorte ao Dr Eduardo Jesus e ao conselho de administração da APRAM”.

O Funchal Notícias foi também informado de que, contrariamente ao que tem circulado de que o lobby do Grupo Sousa terá falado mais alto no afastamento de Reis, o peso veio de outro lado. Quem está por detrás desta “novela” de um governo de renovação, “são grupinhos que existem dentro do próprio partido, que nem sequer apoiaram Miguel Albuquerque na hora da verdade, uma espécie de grupo paraquedista que faz prevalecer o clube dos amigos e não as políticas da competência e da mudança que os madeirenses há tanto esperam”.

Por outro lado, quer na área dos portos quer noutras áreas, parece vir à superfície, de forma discreta mas efetiva, um certo clima de desencanto face a alguns quadrantes do governo recém-empossado. “É mudar para que tudo continue na mesma”, referem-nos com evidente desagrado, lamentando os “compadrios tanto criticados na era jardinista”. Por isso, salientam estes militantes que “o estado de graça vai passar mais rápido do que parece” e que “as reuniões da comissão política do PSD poderão aquecer”.

 

 


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