
Helena Mota (texto)
Se estivesse à frente do Governo, já tinha feito o que Sá Carneiro preconizou um dia: “Fecha e abre outra no dia seguinte”. Foi assim que Alberto João Jardim reagiu, esta segunda-feira, à situação que se vive na TAP com o aviso de greve dos pilotos. Uma solução que já deveria, no seu entender, ter sido tomada há muito tempo, defendendo o quanto antes a “autoridade do Estado na sua alienação”, sob pena de a empresa sofrer uma desvalorização acentuada.
O ex-Presidente do Governo Regional, que falava no final da cerimónia de posse do novo Executivo, na Assembleia Legislativa Regional, foi curto e duro na análise que fez à situação de crise iminente que atinge a transportadora aérea nacional, alegando que agora “ninguém pega na empresa a não ser ao desbarato”.
“Tal com está vale zero. Se me oferecessem a TAP eu dizia ‘muito obrigada, mas não quero’”.
Aproveitou o contexto para expressar o seu desacordo quanto ao direito à greve em sectores vitais como os transportes, a Saúde, a Segurança, as Forças Armadas e os Tribunais. No caso concreto da TAP, contestou, “uma sociedade moderna, que assenta na mobilidade, não deve transigir com fenómenos grevistas”.
“Não acredito nas intenções de Lisboa”
O direito à greve em sectores estratégicos é assunto que, no entender de Jardim, está emperrado devido aos atrasos na revisão constitucional, um processo que não deverá ocorrer a curto prazo, dado o contexto de final de legislatura. Considerando ser uma questão de interesse nacional, Jardim acusou os “partidos coloniais do regime, do CDS ao PCP”, de travarem a propostas de alteração da Madeira em matéria de sistema político.
Os entraves à revisão constitucional estão também na base da “reserva mental” que o ex-governante diz guardar em relação aos próximos tempos, mesmo com um novo governo regional. No seu jeito provocador habitual, lança farpas ao poder central.
“Boas intenções há do lado da Madeira. De Lisboa não acredito”, atiçou, considerando-se um federalista para além de autonomista. Aliás, confessou: “Esta autonomia já não me diz nada; é preciso dar um grande passo constitucional em frente.”
“Sim” aos discursos de Albuquerque e Tranquada
Em relação aos discursos de Miguel Albuquerque e Tranquada Gomes, Jardim começou por recusar qualquer declaração, mas sempre foi dizendo que havia gostado do que ouviu, não tendo qualquer “pejo em subscrevê-los”.
Deixou a garantia de que manterá um clima de diálogo com o novo Executivo. “Dou-me bem com as pessoas. Aliás, o tom forte em que decorreu o debate interno, e que depois culminou no excelente resultado, demonstra que o partido estava mais do que preparado para isto. Foi o meu último trabalho no PSD.”
Jardim chegou um pouco antes da hora marcada para o início da cerimónia de investidura do novo elenco governativo, acompanhado do seu “staff” de gabinete e segurança. Cumprido o protocolo, foi dos primeiros a abandonar a Assembleia Legislativa Regional, logo após a sessão de cumprimentos, saindo rapidamente sem querer prestar declarações aos jornalistas presentes.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





