Anda de mota, aprecia a tertúlia e chega a secretário da Saúde

SONY DSC
FOTOS:Rui Marote

Rosário Martins

Manuel Brito é o senhor que se segue à frente da Secretaria Regional da Saúde. Um setor de peso, controverso e a navegar em dívidas que se vão acumulando com a entrada e saída dos políticos da tutela. Além dos utentes, também o setor clama por reanimação.

O trampolim deste médico para a ribalta acontece não como médico especialista em cirurgia vascular mas quando, na década de 80, assume a presidência do Conselho Médico da Ordem dos Médicos no Funchal. Nesses tempos idos, mas de boa memória para os seus pares que ainda estão no ativo, a saúde vivia controversas intermináveis e o diálogo entre médicos e jornalistas estava à beira da rutura. Eis que entra em cena Manuel Brito, um “gentleman” das relações humanas, cordato, de verbo fácil e sempre pronto para esclarecer aqueles que são os assuntos difíceis do setor. Abriu-se então um novo ciclo na saúde na Madeira que durou anos.

saúde

Tempos depois, a carreira de Brito faz-se a subir. Filomeno Paulo Gomes preside à administração do hospital e Manuel Brito é eleito diretor clínico do então Hospital Central do Funchal. Quem o conhece de perto, admira-lhe o trato correto, o gosto por um bom debate de ideias, o homem que discorre com facilidade sobre a medicina. Mas também consideram que, apesar das inúmeras críticas que tece aos ciclos esgotados da saúde, revelou-se na direção clínica menos como um homem de ação e de trabalho efetivo. Na altura, a polémica em torno dos pagamentos extra às prevenções hospitalares e outros dossiers polémicos não lhe facilitaram a vida. Mas Brito sempre conduziu o barco sem virar as costas às perguntas incómodas e mantendo um trato cordato com os seus pares.

MANUEL BRITO 1

Tempos depois, troca a Madeira pelo Continente para integrar o Centro Hospitalar de Lisboa, há quase cinco anos, onde exerceu discretamente a função. Naturalmente que, numa capital como Lisboa, o estrelato e as aparições públicas típicas da Madeira deixaram de ser rotina, para ocupar uma função importante, trabalhosa mas de maior recato.

Mais recentemente, Manuel Brito habilita-se a uma candidatura a Bastonário da Ordem dos Médicos, novamente com o propósito de insuflar oxigénio a um ciclo de intervenção da classe esgotado e de interpretar os sinais dos utentes que precisam da saúde pública. Queria Brito uma Ordem dos Médicos menos reativa e mais arrojada nas decisões e propostas. Naturalmente que este objetivo não foi mais longe além do anúncio da candidatura.

Tempos mais recentes, o ex-diretor clínico surge a participar em iniciativas do CDS-PP contra a construção do novo hospital e havia mesmo quem o desse como um dos quadros possíveis dos populares para um futuro governo em aliança com o CDS.

Enquanto isso, Brito mantinha as suas crónicas no Diário de Notícias, pedaços de prosa feitos de sátira humorística que não poupavam o jardinismo de críticas metafóricas, vendo em Albuquerque um novo ciclo para a Madeira.

Nos Sweet Lovers e no seu swing
Nos Sweet Lovers e no seu swing

Com a gestão do SESARAM marcada por conflitos entre Miguel Ferreira e os médicos, o novo presidente do governo regional escolhe Manuel Brito para secretário regional da Saúde. Este homem que se confessa um apaixonado da leitura, da boa música, de uma boa tertúlia, e que circula de mota na cidade do Funchal, tem agora a oportunidade de provar que não tem apenas discurso mas que une a teoria à ação numa saúde a precisar de urgente reanimação.

SONY DSC