BE pronto para “encostar governo à parede”

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Fabíola de Sousa

 Após quatros anos afastado do Parlamento o Bloco de Esquerda volta à Assembleia Regional, desta feita, com dois deputados eleitos. Um resultado histórico que Roberto Almada atribui ao povo da Madeira e do Porto Santo e também ao facto de mesmo não tendo representação parlamentar o BE nunca ter deixado de lutar pelos interesses da população. Esta foi a campanha regional onde os bloquistas gastaram menos dinheiro, cerca de 32 mil euros, e a que deu mais frutos em termos eleitorais.

Em entrevista ao Funchal Notícias, o líder regional do BE garantiu que ele e Rodrigo Trancoso vão bater-se na Assembleia para que o Governo Regional não “espezinhe” o povo da Madeira e do Porto Santo. Os deputados estão preparados para fiscalizar o novo governo, e vão exigir uma auditoria à divida da Região.

Roberto Almada diz que está pronto para “encostar o governo à parede sempre que fizer asneira”.

O parlamentar bloquista defende ainda que é preciso acabar com a acumulação de reformas e pensões e verificar se há exagero no pagamento dos vencimentos dos titulares de cargos políticos.

Funchal Notícias – Após quatro anos afastado do Parlamento, como será o seu regresso à Assembleia Regional? Já o preparou?

Roberto Almada – O regresso é um regresso de trabalho. Nós hoje estivemos na rua, o grupo parlamentar eleito a trabalhar. A denunciar uma situação com alguma gravidade, que se prende com o desrespeito da administração pública regional com alguns trabalhadores da Direcção Regional da Agricultura, que não recebem, por exemplo, ajudas de custo que fazem parte da sua remuneração desde o final de 2013 e exigimos uma tomada de posição da parte do secretário regional. E assim que o Parlamento entre em funcionamento, exigiremos através do Parlamento e dos meios legais o esclarecimento desta situação.

O nosso regresso será um regresso feito com muito trabalho, o Roberto Almada e o Rodrigo Trancoso serão os deputados que vão representar o Bloco de Esquerda, continuarão a ser as mesmas pessoas e estaremos sempre na luta.

FN – Estava à espera deste resultado eleitoral, 4859 votos e uma percentagem de 3,80%, é um resultado histórico?

RA – Repare, histórico para o BE na Madeira. Porque o BE nunca teve mais do que um deputado, teve um deputado em 2004, teve um deputado em 2007, em 2011 não elegeu nenhum e agora teve dois deputados, considerando que o BE só existe na Madeira desde 2004.

Nós ouvíamos todos os dias pessoas que passavam na rua e diziam: vocês estão a fazer tanta falta no Parlamento, porque vocês são um partido que protesta quando tem de protestar, mas que tem projecto, tem propostas, tem iniciativas e que anda mesmo fora do Parlamento, sempre junto das pessoas.

Não há quem vos bata à porta a pedir ajuda para isto ou ajuda para aquilo que sempre que vocês podem ajudar (que às vezes também não se pode) mas sempre que vocês podem ajudar, não deixaram de intervir. E foram muitas centenas, para não dizer milhares de pessoas, que durante estes quase quatro anos na rua diziam que o BE fazia falta no Parlamento, porque o BE estava sempre na rua com as pessoas.

Há uma coisa interessante: é que há pessoas que falavam connosco e não se apercebiam que nós tínhamos perdido o deputado na Assembleia porque estávamos sempre presentes na rua. E a dada altura, tivemos a necessidade de vincar que não estávamos no Parlamento.

Houve pessoas que em plena campanha eleitoral me vinham dizer: só agora que você deu uma entrevista a este ou aquele órgão de comunicação social é que me apercebi que vocês não estão no Parlamento.

E portanto esperávamos que os madeirenses transformassem em votos aquilo que nos diziam, que o BE fazia falta no Parlamento, mas confesso que dois deputados foi uma agradável surpresa para mim. Não para outros camaradas meus de partido. Havia pessoas que me tinham dito durante a campanha que acreditavam que podíamos chegar ao segundo deputado. Eu acreditava que sim, que era possível, mas achava que era extraordinariamente difícil. Mas conseguimos, efectivamente.

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FN – Na sua opinião quem foram os principais responsáveis por este resultado eleitoral, excelente, do BE?

RA – Foram os madeirenses e os porto-santenses em primeiro lugar que acharam que o BE fazia falta no Parlamento e que acharam que esta voz defendia-os no Parlamento, e quiseram ter o BE com dois deputados no Parlamento para serem mais duas vozes, a minha e a do Rodrigo, para defenderem a Madeira e os madeirenses. Esses são os primeiros responsáveis pelo nosso sucesso eleitoral.

E depois houve um trabalho de um colectivo nacional e regional, mas sobretudo de um colectivo regional que nas horas difíceis manteve-se unido. Das pessoas que hoje estão no BE e da juventude que foi muito importante nesta campanha e nestes quatro anos. Tivemos pessoas não tão jovens mas históricos da nossa área política como a Guida Vieira, a Conceição Pereira, a Assunção Bacanhim, como gente de quadros novos que temos no BE que entraram durante estes quatro anos. O grande segredo foi nós não desistirmos da luta, por isso, o “sempre na luta” é um slogan que nós vamos continuar a utilizar porque o BE dentro do Parlamento, fora do Parlamento, sempre esteve na luta e sempre estará na luta.

É preciso reconhecer que as pessoas que hoje estão no BE não são salta-pocinhas, não são vira-casacas, mantiveram-se sempre fiéis aos seus princípios e trabalharam em prol dos madeirenses, independentemente, de haver lugares ou de não haver lugares.

FN – O Roberto Almada como deputado novamente será o mesmo de sempre?

RA– Estou mais velho, sabe, mas serei naturalmente o mesmo de sempre. Mas o Roberto vai continuar a ser o mesmo Roberto determinado, que conduz a furgoneta do partido quando é preciso. Por acaso temos, infelizmente, temos alguns jovens nossos militantes que estão desempregados e agora fazem mais do que eu esse trabalho, que é um trabalho muito importante. Mas muitas vezes eu pego na furgoneta quando é preciso e que eles não podem, pego na furgoneta e vou colar cartazes com os meus camaradas, se for preciso vou a outro sítio qualquer fazer outro trabalho qualquer e portanto eu continuarei o ser o Roberto. Passarei a ser a voz activa e a ser deputado mas continuarei a ser o Roberto que pega na furgoneta, que vai colar cartazes com os camaradas e que vai fazer todo o trabalho que houver para fazer. Nada muda e naturalmente não mudarei este meu estilo de ser.

FN – Mas teremos o estilo do Roberto Almada no Parlamento, aquela voz sempre presente, sempre marcante e incisiva?

RA- Claro que sim, agora com a ajuda do Rodrigo Trancoso que será importante, porque além de ser presidente da Assembleia Municipal do Funchal é um quadro importante do nosso partido, como outros quadros importantes são e naturalmente que faremos o melhor e teremos toda a convicção e toda a determinação para, fazendo oposição ao Governo Regional, não deixarmos o Governo Regional espezinhar o povo da Madeira e do Porto Santo.

Fiscalizaremos o governo, e, passe a expressão, estaremos sempre prontos para encostar o governo à parede sempre que fizer asneira.

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FN- Considera que o facto da Catarina Martins ter vindo à Madeira na recta final da campanha ajudou alguns indecisos?

RA- Nós tivemos na Madeira a eurodeputada Marisa Matias no dia 8 de Março, no dia 14 de Março tivemos o líder parlamentar Pedro Filipe Soares. Uma semana depois, o ex-coordenador nacional, o Francisco Louçã, que veio também participar num debate com o professor Ricardo Cabral na Universidade da Madeira. Tivemos ainda a deputada Mariana Mortágua, que se celebrizou naquela luta na Assembleia da República contra Ricardo Salgado, contra Zeinal Bava e contra os poderosos deste país que têm responsabilidades no BES, na Portugal Telecom e na desgraça que se passou. E tivemos por fim a Catarina Martins, que é a porta-voz nacional do BE que veio dar no último dia de campanha um precioso contributo.

O BE nacional esteve todo na Madeira, apesar de terem sido apenas estas pessoas, mas com estas pessoas sentimos todo o apoio do BE a nível nacional e todos eles e outros que aqui não vieram mas que nos apoiaram de outras formas foram fundamentais para que o BE tivesse este bom resultado, esta vitória. Porque nós não devemos poupar nas palavras, como tivemos uma derrota há quatro anos e saímos do Parlamento, agora voltámos ao Parlamento, e ainda por cima com dois deputados.

Provou-se que o BE, em Portugal e não só na Madeira, é um partido capaz de se unir quando é preciso unir, naturalmente tendo na sua diversidade pessoas com opiniões diferentes que discutem quando é necessário, o que só enriquece, e eu tenho experiência porque sou dirigente nacional do BE e regional, e isso só enriquece o partido e não o enfraquece, ao contrário do que muita gente possa pensar.

FN – Fizeram uma campanha com poucos recursos, mais na porta à porta no contacto com a população. Quais foram os custos totais da campanha?

RA – Não sou tesoureiro, mas tínhamos como orçamento de campanha 35 mil euros, que foram verbas do partido a nível nacional, nós aqui não tínhamos um cêntimo, e contas por alto deve ter ficado nos 32 mil euros, portanto, se calhar não chegou mas anda aí perto, mais coisa menos coisa.

Foi de facto uma campanha das mais baixas em termos de custos que fizemos, mas ainda assim houve custos. A gente sabe que mandar imprimir cartazes tem custos, mandar fazer bandeiras tem custos, para correr a Região de lés a lés com várias equipas é preciso muito dinheiro para combustível. Para irmos ao Porto Santo como fomos é preciso dinheiro para o transporte marítimo, dinheiro para comida. As campanhas que se fazem das sete da manhã às onze da noite, não todos os dias, mas geralmente de manhã à noite… Essas campanhas têm custos porque essas pessoas precisam de se alimentar. Desse ponto de vista, estamos contentes, porque tivemos um bom resultado e tivemos a campanha mais barata das eleições regionais do BE na Madeira desde 2004.

Até porque a situação do país e a situação do BE também não permitiu que fosse de outra forma.

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FN – Há pouco falou em vira-casacas, que há pessoas que vão de um partido para o outro. O que distingue o BE da CDU, sendo partidos de esquerda?

RA – Nós dizemos que as pessoas que estão no BE não são vira-casacas e não são salta-pocinhas porque se mantiveram fiéis às suas convicções e aos seus princípios, mesmo quando o partido não tinha representação parlamentar. Isto não é qualquer crítica a outra força política, é apenas nada mais do que isto.

FN – Mantenho a minha questão: o que distingue o BE da CDU? São partidos muito parecidos no contacto com as populações e na persistência no trabalho…

RA – Bom, isso por si só não é mau. Eu não posso falar pelos outros partidos. Naturalmente que o BE é um partido que por si só insiste muito na luta, denuncia, propõe, tem projectos, e de facto o BE é um partido que está sempre na luta. Não somos egoístas ao ponto de dizer que somos só nós que estamos na luta. Há outras forças políticas que têm trabalho feito, e a verdade é que o eleitorado reconhece isso, mas eu não falarei por outras forças políticas porque não quero ser deselegante, como é evidente.

FN- O que muda agora no BE com dois deputados no Parlamento Regional? Quais serão a três primeiras medidas a tomar?

RA – Há desde logo alguns compromissos eleitorais que nós temos feito, e que temos de cumprir.

Há um que é importante, que pode não ser a primeira iniciativa, mas está já a ser pensado e trabalhado até com os juristas do BE a nível nacional, que é uma proposta para que a Assembleia decida fazer, ou pelo menos delibere realizar, uma auditoria à divida da RAM. Ainda estamos a ver em que termos é que isso se pode fazer, isso tem de ser estudado do ponto de vista legal, não pode ser de qualquer forma mas essa é uma questão que para nós é fundamental.

A Região tem uma dívida colossal, uma dívida que obrigou a haver um programa de resgate financeiro que aumentou impostos, que desvalorizou salários e pensões, que aumentou o desemprego, que colocou muitas empresas à beira da falência, com consequências no aumento do desemprego.

Temos de saber se essa dívida que foi contraída em nome dos madeirenses é uma dívida legítima que foi usada para fins bons ou pelo contrário, se há uma parte dessa dívida ou a totalidade dessa dívida que foi contraída em nome dos madeirenses e que serviu para fins menos claros.

E por isso, sem termos uma auditoria, é difícil concluirmos se houve irresponsabilidade ou não.

Achamos que sim, porque alguns elefantes brancos da governação PSD, de que Miguel Albuquerque é herdeiro, nós achamos que existirão porventura responsabilidades, que têm de ser assacadas aos governantes, mas para isso precisamos de ter uma auditoria independente feita à divida da Região, para poder afirmar, afiançar e tomar medidas no sentido de tentar responsabilizar aqueles que foram os responsáveis (ou os irresponsáveis!) que nos levaram a esta situação.

FN – E outras medidas?

RA– Há uma medida pela qual nos vamos bater todos os dias em que estivermos no Parlamento, e que já nos batemos agora, que é a necessidade de acabar com a austeridade. Isto parece ser uma frase feita mas não é. A austeridade, os sacrifícios que foram impostos aos madeirenses levaram a um empobrecimento das pessoas, e, tendo levado a um empobrecimento das pessoas, levou também a um definhar da economia da Região.

A austeridade falhou. Se as pessoas têm menos dinheiro, se não tem salários, se têm as pensões desvalorizadas, naturalmente, têm menos dinheiro para injectar na economia. Se têm menos dinheiro para ir comprar o leite, o arroz, o sal, a comida e outras despesas, esse dinheiro não entra na economia, e é natural que as empresas, sejam elas quais forem, ressentem-se, entram em dificuldades, muitas delas vão à falência, e as falências fazem aumentar o desemprego –  e isto é um ciclo vicioso.

E para sair disto só rompendo com este erro que é a austeridade, valorizando salários, valorizando pensões, baixando impostos, porque não é difícil e não é preciso ser economista para perceber que se eu que ganho, neste momento 960 euros, é o meu ordenado de profissão. Ganho 960 euros líquidos. Se ganhar 1200 euros vou gastar mais, vou injectar mais dinheiro na economia. E se injectar mais dinheiro na economia, as empresas vão lucrar com isso, vão criar mais postos de trabalho. Multiplicando isto por 250 mil madeirenses, podemos ver qual o impacto que isto terá. Terá impacto no ressurgimento de uma economia forte, que terá como consequência, inevitavelmente, maior saúde das empresas e criação de mais postos de trabalho.

Vamos apresentar propostas que já tivemos, como acabar com alguns privilégios que uma casta privilegiada tem na nossa Região.

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FN – Fala de alguns políticos?

RA– Nós achamos que não podemos ser populistas ao ponto de achar que os políticos devem todos ganhar muito mal, não. Para uma determinada função qualquer trabalhador deve ter o seu vencimento. Qualquer trabalhador, qualquer titular de cargo político tem de ter o seu vencimento. O que não podemos aceitar é que por exemplo o presidente da Assembleia, o presidente do Governo ou qualquer outro titular de cargo político que já esteja reformado receba a sua reforma e receba um ordenado de político. Tem de optar. Isto é só na Madeira que acontece.

É preciso, e na Assembleia fala-se muito que os deputados ganham muito dinheiro. Bom, naturalmente que os deputados ganham mais do que a maioria dos trabalhadores e já tiveram reduções salariais.

Mas há por exemplo trabalhadores no sector privado, falo de técnicos, de quadros de empresas, de directores de órgãos de comunicação social, que ganham muito mais que deputados, portanto, é preciso sim ver muito bem isso, não entrar no populismo fácil de dizer que a grande despesa da política tem a ver com os ordenados dos políticos. Estamos disponíveis para discutir isso e para tomar medidas nesse sentido, mas não podemos ter uma Assembleia onde o presidente tem cinco assessores, um motorista para o presidente da Assembleia e um motorista para cada um dos vice-presidentes da Assembleia.

Não estou a defender despedimento de trabalhadores, até porque essas pessoas são da confiança política e são requisitadas a um serviço dirigido para ir para lá, mas é preciso moralizar o sistema político.

É preciso acabar com a acumulação de reformas e pensões, é preciso verificar de facto se há exagero no pagamento dos vencimentos dos titulares de cargos políticos, mas estou convencido que isso não é o grande problema.

FN- É positiva a redução do jackpot?

RA– Sim, mas não é nada de novo. O BE em 2008 e em 2010 propôs um corte maior do que aquele que foi aprovado agora. Estamos de acordo com isso e achamos que deve ser estudada a possibilidade de poupar mais dinheiro ao erário público no que diz respeito ao funcionamento do sistema político.

Têm de haver custos para a democracia, porque se acabarmos com o financiamento público dos partidos e das organizações políticas, o que vai acontecer é que passarão a ser financiados por grandes grupos empresariais.

E nós sabemos muito bem quem são os partidos que irão beneficiar com isso, porque existirão sempre dois ou três que terão esses grupos a financiá-los e esses partidos ficarão reféns desses privados e isso nós não aceitamos. Queremos moralizar a política, e não que os partidos fiquem reféns de grupos empresariais e de interesses privados.

FN – O segundo deputado eleito pelo BE, Rodrigo Trancoso, vai deixar a presidência da Assembleia Municipal do Funchal?

RA – Não é uma situação incompatível. Essa é uma decisão do próprio e não vou responder por ele. A lei permite e o presidente da Assembleia Municipal não recebe um ordenado por ser presidente, recebe apenas uma senha de presença quando vai às reuniões e só há uma reunião, salvo erro, de três em três meses.

FN- Conhecendo o funcionamento da Assembleia, acha que agora com este novo governo as coisas podem ser diferentes?

RA – Eu espero que a Assembleia passe a ter o papel que lhe está atribuído pela lei, que é de fiscalizar os actos do governo, e que o governo não tenha a tentação que foi prática no governo anterior, de ser o governo a mandar na Assembleia.

Os deputados e a Assembleia é que têm por missão fiscalizar os actos do governo. Nós esperamos que os deputados tenham na conferência de grupos parlamentares assento não apenas os grupos parlamentares, mas todos os partidos representados na Assembleia Legislativa da Madeira.

Esperamos que a Assembleia seja um palco de dialéctica política que legisle no sentido de resolver os problemas do povo da Madeira e do Porto Santo. Porque se assim não for, não vale a pena haver Assembleia.,

FN – Que comentário faz ao nome que está a circular na opinião pública de Tranquada Gomes para presidente da Assembleia?

RA – Não tenho qualquer tipo de comentário a fazer a isso. Os partidos representados na Assembleia têm o direito de indicar quem entenderem para serem candidatos aos vários cargos.

FN- Quem é que acha que Miguel Albuquerque não devia indicar para o governo dos nomes que têm vindo a público?

RA– Se fosse pensar nisso acho que não devia indicar nenhum deles porque todos são legítimos herdeiros daquilo que de mau o PSD fez nesta terra. Mas tendo em conta que o povo deu uma maioria que neste momento ainda não se sabe bem se relativa se absoluta ao PSD, naturalmente, que isso não é da nossa responsabilidade.

FN – Falando em maioria absoluta do PSD que ontem foi e depois deixou de ser e voltou a ser. O BE exige uma recontagem total dos votos?

RA– Emitimos um comunicado e enviámos à Comissão Nacional de Eleições um protesto onde dizemos que é necessário que a vontade dos eleitores expressa a 29 de Março nas urnas seja integralmente respeitada e que o apuramento desses resultados tem de ser feito com todo o rigor para que essa vontade seja respeitada. Existe a lei para cumprir e nos termos da lei deve ser feito tudo o que for possível fazer para garantir a verdade eleitoral e a vontade dos madeirenses expressa nas urnas.

*(Nota: esta entrevista foi realizada antes da decisão do Tribunal Constitucional, de não dar provimento aos recursos apresentados por vários partidos, que pretendiam uma recontagem dos votos nas legislativas da Madeira).