Edgar Silva, da CDU, está mais preocupado em olhar para o futuro, e em executar trabalho com os dois deputados que a coligação entre PCP e PEV conquistou. Porque pura e simplesmente não vale a pena lamentar-se da decisão do Tribunal Constitucional, em não efectuar uma recontagem dos votos na Madeira. “Não há outra hipótese de recurso, este processo está fechado, e há que olhar para o trabalho futuro”, disse ao Funchal Notícias.
E isto, “de modo a impedir que situações como esta, de descrédito completo do processo eleitoral na Madeira, com os elementos de batota que se registaram no apuramento dos votos, no funcionamento de mesas de voto”, se voltem a repetir.
Outro “problema gravíssimo”, denuncia, é o da chamada abstenção técnica: “os cadernos eleitorais proporcionam todas as arbitrariedades, as mais grosseiras arbitrariedades são possíveis no âmbito destes cadernos eleitorais, que facilitam todo o tipo de fraude”.
“Nestas situações”, frisa, “importa sobretudo intervir, para que as eleições na Madeira não continuem a ser esta… para que nelas não volte mais a suceder esta realidade vergonhosa e completamente desacreditadora da democracia. E isso é que é preciso fazer para o futuro. Não vale a pena lamentar-se com o que está: há é situações que precisam de ser alteradas no futuro. Todas estas situações que envolveram o acto eleitoral permitiram que muita gente ganhasse uma outra consciência da gravidade da situação que se vive na Madeira, e levaram a que muita gente percebesse que embora o Alberto João Jardim já não seja cabeça-de-lista, os batoteiros, os responsáveis pela batotice, não foram embora”.
Edgar Silva afirma que é preciso fazer muito, e em profundidade, para que isto se altere, e a CDU continuará a dar o seu contributo “para que a situação deplorável, de descrédito de todos estes processos que se reportam à Madeira” não se volte a repetir.
“Há muito tempo que alertávamos para certas situações, mas estávamos a pregar no deserto”, frisou. “Acho que todo este processo agora permitiu, aos olhos do país, um consciência diferente do que é esta realidade política e eleitoral vivida na Madeira”.
Questionámos: Mas se assim foi, como se justifica esta decisão do Tribunal Constitucional?
Edgar Silva é taxativo: “O TC decidiu o que tinha que decidir… Se quer que lhe diga, nem estávamos a lutar só por um terceiro deputado, estávamos a lutar por um quarto deputado. Boa parte de votos foram de pessoas que, querendo votar na CDU, enganaram-se e votaram no PCTP-MRPP… Foi o Tribunal Constitucional que considerou que o símbolo do MRPP era conforme com a constitucionalidade, e suficientemente diferente do do PCP. E agora? O que é que a gente vai fazer? Há anos atrás, o Tribunal Constitucional decidiu que aquele símbolo [do PCTP-MRPP, também com a foice e o martelo] era legal. Nós temos toda a certeza de que não perdemos o terceiro, perdemos o quarto deputado! Mas pronto, temos é de olhar para a frente, e intervir de forma a superar todas estas desvantagens. Temos de encarar a História naquilo que está por fazer, não naquilo que já aconteceu”, declarou.
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