Animais ajudam desenvolvimento de crianças autistas

cão

O modo como os animais domésticos podem contribuir para favorecer melhorias a nível da comunicabilidade, da motricidade e de outros aspectos importantes para o desenvolvimento das crianças que sofrem de perturbações do espectro do autismo foi o tema de uma conferência que se realizou hoje de manhã na Escola Secundária de Jaime Moniz. As prelectoras foram a psicomotricista Sara Teixeira e a psicóloga Rubina Aguiar, ambas ligadas à delegação madeirense da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo.
Conforme explicou Sara Teixeira ao Funchal Notícias, as crianças autistas apresentam normalmente dificuldades a nível da comunicação e de competências sociais.
“Frequentemente isolam-se, não querem interagir com os outros… Apresentam também muitas vezes dificuldades comportamentais, assumindo atitudes repetitivas… Há uma série de movimentos que é característica destas crianças, por exemplo abanar as mãos à frente da cara, ou balançar o corpo… Os autistas apresentam também dificuldades ao nível sensorial. Ora, já existem estudos que mostram que a terapia com o recurso a animais nestas crianças e jovens com autismo tem benefícios”, refere Sara Teixeira.
De acordo com a nossa interlocutora, os benefícios traduzem-se em resultados obtidos em quatro áreas: social, emocional, cognitiva e motora.
Com a terapia com os animais, o que acontece é que acaba por verificar-se nas crianças um aumento da auto-estima, com diminuições nos comportamentos de solidão e isolamento. Verifica-se, por outro lado, uma redução dos estados de ansiedade. “Há um aumento de bem-estar e de emoções positivas”, assevera.
A nível social, é potenciada a interacção com os outros. Um cão não pode operar milagres, certamente, mas a sua presença produz resultados positivos ao facilitar um relaxamento da criança. Por vezes, nas sessões, as crianças autistas rejeitam o terapeuta. Vão para um canto da sala, colocam-se de costas… Mas quando um animal de estimação está presente, suscita-lhes uma curiosidade que ajuda a ‘quebrar o gelo’ e funciona como elemento motivador.
“Através do cão, o terapeuta pode depois trabalhar diferentes competências”, realça Sara Teixeira, “como a capacidade da criança manter-se atenta e concentrada nas actividades. É uma estratégia que resulta muito bem”.
A abordagem de números, cores, formas ou letras também se pode operar através do recurso a canídeos. Normalmente, os cães que participam nas sessões levam um colete vestido, com velcro, no qual as crianças podem colocar cartões temáticos no velcro. “Esses cartões podem ser, por exemplo, números, nos quais se colocam sequências de um a dez.. Podem também conter letras, e as crianças podem assim escrever o nome delas com esses cartões… Existem diversas actividades que podem ser realizadas”. E que, naturalmente, ajudam muito a chamar ao ‘nosso mundo’ os autistas, que têm a particularidade de viver tendencialmente isolados numa realidade que é apenas sua.
Os animais ajudam a transmitir segurança, e as crianças, ao sentirem-se mais seguras, tornam-se mais confiantes, mais descontraídas e mais aptas a participar em diferentes actividades.
Para Sara Teixeira, “tem havido um desenvolvimento” na forma como a sociedade madeirense se encontra preparada para lidar com perturbações do espectro do autismo. Por exemplo, já existem escolas na Região que promovem a integração de autistas em turmas comuns.
“Cada vez mais as pessoas conhecem o autismo, e já estão mais abertas para estas crianças… Já aceitam também que as crianças vão às turmas do ensino regular… Acho que cada vez mais as crianças autistas são aceites na nossa sociedade”.