Helena Mota
Raimundo Quintal continua muito crítico quanto às intervenções feitas no interior das ribeiras, sobretudo nas zonas altas do Funchal e da Ribeira Brava. Lamenta que os responsáveis mantenham uma falsa segurança, com base nos açudes construídos e nos grandes investimentos em betão para canalizar pequenos cursos de água. Insuficientes, diz, em situação de grande pluviosidade.
Destaca algumas áreas vulneráveis:
“Receio pelo que possa acontecer no Funchal a jusante, associando aquela obra notável que são as ribeiras siamesas e o novo porto. Falta a avaliação externa. O Atlântico ainda não deu mostras de estar maldisposto”.
“No troço da Ribeira de Santa Luzia, entre as rotundas da Fundoa e dos Viveiros, a encosta está instável e a área de vazão da ribeira sob a rotunda continua limitada. É um dos pontos mais perigosos da cidade.”
“No Sítio dos Lombos, Corujeira, o desordenamento e a acumulação de casas mantem-se nas margens de um ribeiro agora estrangulado. Em cinco anos não se aproveitou a grande oportunidade de reordenar o território, retirando das zonas de riscos quem aí vive e investindo na recuperação dos centros históricos onde essas pessoas poderiam ser realojadas. Seria uma forma de dinamizar estes centros que estão desertificados.”
“A Ribeira dos Socorridos não foi alvo de planos de prevenção, como ainda se aumentou a vulnerabilidade da zona com a construção, após 2010, de uma área anexa à estação termoelétrica e com a instalação dos reservatórios de gás natural. Pergunto: em situação de cheia o que acontecerá, se pensarmos que ali se encontra a principal unidade de produção de energia para toda a ilha?”
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