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O governo da Groenlândia rejeitou nesta quarta-feira (14) a afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que uma exploração “massiva” de petróleo, gás e minerais está prestes a começar no território ártico. Segundo o vice-ministro de Mineração, Jørgen Hammeken-Holm, há atividades conduzidas por empresas americanas, mas elas permanecem “muito longe” de uma operação em grande escala e podem levar anos para produzir resultados concretos.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que a Gronelândia — que chamou de “nossa nova e bela Gronelândia” — abrigaria vastas reservas de petróleo de fácil acesso. O presidente norte-americano, porém, não apresentou evidências, estudos geológicos ou detalhes sobre quais projetos sustentariam a previsão de um início imediato da exploração.
A resposta oficial veio poucas horas depois. Hammeken-Holm reconheceu a presença de companhias dos Estados Unidos em atividades de prospecção, mas ressaltou que os empreendimentos ainda estão em fases iniciais. Na avaliação do vice-ministro, transformar esses projetos em operações de grande porte exigirá investimentos prolongados, licenciamento e superação de obstáculos técnicos e logísticos.
Obstáculos no Ártico
A Groenlândia possui recursos minerais relevantes, incluindo terras raras e outros materiais estratégicos para tecnologias de energia limpa, defesa e eletrônica. O interesse de Washington se explica tanto pela busca por fontes alternativas de matérias-primas quanto pela posição geográfica da ilha, cada vez mais estratégica no Ártico.
A exploração em larga escala, contudo, enfrenta limitações severas. As temperaturas extremas, a presença de gelo, a escassez de portos e estradas e a distância dos principais mercados elevam os custos de qualquer empreendimento. Além disso, a Gronelândia mantém restrições a novas licenças de petróleo e gás desde 2021, refletindo preocupações ambientais e climáticas.
Para especialistas ouvidos por veículos internacionais, a retórica de Trump confunde a existência de potencial geológico com a viabilidade econômica e operacional de extrair esses recursos. Recursos estimados não equivalem a reservas comprovadas, e projetos que parecem promissores no papel podem levar décadas para chegar à produção.
Tensão diplomática
A declaração reacende uma disputa diplomática entre Washington, Nuuk e Copenhague. A Gronelândia é um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca, que responde pela sua política externa e de defesa. Trump já havia defendido publicamente que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha, uma posição rejeitada tanto pelo governo gronelandês quanto pelo dinamarquês.
O episódio ocorre após um acordo de cooperação entre os Estados Unidos, a Gronelândia e a Dinamarca voltado ao desenvolvimento de minerais críticos e à diversificação das cadeias de suprimentos ocidentais. O entendimento, porém, não concede aos EUA direitos exclusivos sobre os recursos naturais do território.
Ao contestar o presidente americano, o governo da Gronelândia buscou separar dois pontos: há interesse e atividade exploratória estrangeira no território, mas não há, até o momento, base para afirmar que uma exploração massiva de petróleo, gás e minerais esteja prestes a começar.
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