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Doyle Lee Hamm passou décadas no corredor da morte por um assassinato cometido em 1987, mas nunca foi executado. Quatro anos depois de uma tentativa de injeção letal interrompida após horas de punções, ele morreu na prisão por complicações de um câncer.
Na noite de 22 de fevereiro de 2018, Hamm, então com 61 anos, foi levado à câmara de execução da prisão de Holman, no Alabama, para receber a injeção letal. Seu advogado havia alertado, meses antes, que as veias do preso estavam comprometidas e que a execução poderia causar sofrimento desnecessário.
A advertência se confirmou. Durante cerca de duas horas e meia, a equipe médica tentou encontrar uma veia adequada para aplicar a substância. Segundo documentos apresentados posteriormente, foram feitas punções repetidas nas pernas, nos tornozelos e na região da virilha. O procedimento foi abandonado pouco antes da meia-noite, quando a ordem de execução expirava.
O advogado de Hamm, Bernard Harcourt, classificou a experiência como extremamente dolorosa e afirmou que uma segunda tentativa configuraria punição cruel e incomum. Em março daquele ano, o Alabama concordou, por meio de um acordo, em não marcar nova data para a execução.
Hamm nunca mais voltou à câmara de execução. Ele morreu em 28 de novembro de 2021, aos 64 anos, ainda na prisão de Holman, em decorrência de complicações do linfoma e de um câncer diagnosticado anos antes.
O crime que levou à condenação
Hamm havia sido condenado em 1987 pelo assassinato de Patrick Cunningham, funcionário do turno da noite do Anderson Motel, em Cullman, no Alabama. Cunningham foi baleado e morto durante um roubo no qual desapareceram dinheiro do caixa e a carteira da vítima.
Por esse crime, Hamm passou mais de três décadas no corredor da morte. Quando a sentença finalmente chegou ao momento de ser cumprida, o estado não conseguiu executá-la. Quatro anos depois da tentativa fracassada, foi a doença que pôs fim à vida do preso.
O caso voltou a alimentar o debate sobre os riscos e a humanidade dos métodos de execução nos Estados Unidos. Para críticos da pena de morte, a experiência de Hamm ilustra como falhas técnicas podem transformar uma execução em um episódio de sofrimento prolongado — mesmo quando ela, ao final, não chega a ocorrer.
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