5 de outubro: Implantação da República Portuguesa (1910)

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5 de Outubro: o dia que Portugal deixou de ser monarquia

Há 116 anos, na manhã de 5 de outubro de 1910, Portugal assistiu ao fim de 767 anos de monarquia e ao nascimento da República, proclamada da varanda da Câmara Municipal de Lisboa por José Relvas, numa revolução organizada pelo Partido Republicano Português. O rei D. Manuel II partiu para o exílio ainda nesse dia, enquanto um Governo Provisório, presidido por Teófilo Braga, assumia a direção do país até à aprovação da Constituição de 1911.

Como começou a revolução

Os acontecimentos que culminaram na Implantação da República começaram a desenrolar-se nos dias anteriores, com um golpe militar republicano iniciado na noite de 3 para 4 de outubro. Cerca de dois mil soldados e marinheiros — de Infantaria 16, Artilharia 1 e da Marinha — sublevaram-se contra a monarquia, concentrando-se sobretudo na Rotunda, em Lisboa, enquanto navios no Tejo participavam nos combates.

Os confrontos entre forças monárquicas e republicanas, com apoio de civis, causaram cerca de 70 mortos e 300 feridos, na sua maioria população que assistia aos acontecimentos. A indefinição das forças leais ao rei e a recusa do exército em travar os revoltosos precipitaram o desfecho: na manhã de 5 de outubro, a República foi proclamada e comunicada ao resto do país por telégrafo.

O momento da proclamação

Às 9 horas da manhã de 5 de outubro de 1910, José Relvas, à frente de uma delegação do Partido Republicano, subiu à varanda dos Paços do Concelho de Lisboa e proclamou a “República Portugueza”. O momento, imortalizado pelo fotógrafo Joshua Benoliel, tornou-se uma das imagens mais icónicas da história portuguesa.

Ainda nesse dia, D. Manuel II e a família real abandonaram Portugal, embarcando na Ericeira com destino ao exílio, marcando o fim efetivo da monarquia constitucional.

O que mudou com a República

A Primeira República, que duraria até ao golpe militar de 28 de maio de 1926, instituiu um regime parlamentar baseado na soberania da Nação e na separação de poderes, consagrados na Constituição de 1911. O novo regime aprovou medidas sociais e civis inovadoras para a época, como o divórcio, a proteção de filhos ilegítimos, o direito à greve, o descanso semanal obrigatório e a regulação do horário de trabalho.

A República também abriu espaço à participação política de mulheres: Carolina Beatriz Ângelo, médica e ativista republicana, tornou-se a primeira mulher a votar em Portugal, nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte de 1911.

Um símbolo com rosto real

A imagem feminina associada à República Portuguesa — presente em moedas, selos e monumentos — foi inspirada numa jovem costureira alentejana chamada Ilda Puga, que tinha 16 anos quando o escultor Simões de Almeida (sobrinho) a escolheu como modelo. O rosto de Ilda tornou-se, assim, parte do imaginário coletivo da nova ordem política.

Como se celebra hoje

Em 2026, o 5 de outubro é feriado nacional e é assinalado com cerimónias oficiais, visitas guiadas e atividades culturais. A Assembleia da República abre as portas a cidadãos, com exposições, música e iniciativas que destacam figuras e valores republicanos. Em várias cidades, como Sines e Coimbra, há exposições, conferências e festas de rua dedicadas à memória da Implantação da República.


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