Estepilha: munícipes não colaboram na limpeza e a Câmara não chega para as encomendas

Rui Marote
Há casos destes um pouco por todo o lado. O Estepilha passou no domingo na Rua da Carreira, numa altura em que aquela artéria estava deserta. Ao circular em frente ao antigo cinema João Jardim, não resistimos a fotografar o estado do patamar de cantaria e degrau que faz parte do edifício onde hoje funciona a Escola Cristóvão Colombo. Actualmente o mesmo alberga também cabeleireiro, café com esplanada, papelaria e uma loja de imagens.
A cantaria apresenta-se encardida ao ponto de o preto acinzentado estar acastanhado. Os comerciantes das lojas parecem alérgicos ao sabão e água e só se lembram de São Brás quando desaba a tempestade para lavar a sujidade.
O patamar e o degrau pertencem à soleira ou à entrada do espaço privado (ou de uso comercial privado). A manutenção e a lavagem são de obrigação exclusiva do lojista.
No passeio municipal (frente à loja) os regulamentos municipais de gestão de resíduos de limpeza urbana estipulam frequentemente que os comerciantes devem manter a área de passeio que confina com o seu estabelecimento (num raio que costuma ir 1 a 2 metros.
A Rua da Carreira é uma das artérias históricas mais importantes do Funchal, caracterizada por passeios tradicionais e cantarias regionais. As esplanadas dos restaurantes nunca foram lavadas pelos comerciantes: é a Câmara  que o faz de tempo a tempos e a limpeza faz-se também quando São Pedro se lembra.
Não parece existir fiscalização e é frustrante ver a a cidade suja e sentir que os serviços municipais ou a própria população não estão colaborando como deveriam. Manter o espaço público limpo exige um esforço conjunto.
Várias câmaras municipais e juntas de freguesia em Portugal premiam os cidadãos e as escolas através de concursos de jardinagem e iniciativas de civismo urbano para incentivar a beleza e a limpeza das ruas. Deveria atribuir-se no Dia da Cidade menções honrosas, medalhas e até prémios financeiros para reconhecer o empenho dos munícipes neste aspecto.
O Estepilha é a “sentinela” alerta da cidade do Funchal. Voltamos a insistir na frase “o pior cego é aquele que não quer ver”.
Finalizamos com uma história dos anos 90. Na Rua da Carreira,  todos os domingos pelas 09horas, a proprietária do restaurante o “Arco” lavava o passeio em frente ao restaurante equipada de botas de água, mangueira, muito detergente e vassoura. Era uma verdadeira padeira de Aljubarrota. Deixava as pedrinhas de basalto e calcário a brilhar. Viam-se autênticas ondas de sabão nos paralelepípedos, que eram “escafiados” com a vassoura e escovão.
Fazia questão passar de um passeio para o lado contrário, ou seja “lavava a freguesia da Sé,  estrada e lavava a freguesia de São Pedro” uma vez que na Rua da Carreira o passeio do lado sul é Sé e a norte é São Pedro.
Todos os domingos mantínhamos um diálogo  com esta proprietária do “Arco” restaurante que hoje não existe. E dizíamos-lhe a brincar: “A senhora vai receber uma medalha no Dia da Cidade por dar banho a São Pedro e à Sé”.
Era um excelente exemplo que nunca foi reconhecido e não tem hoje seguidores.

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